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Recentemente, tive a oportunidade de entrevistar Robinson Patrone, no podcast Capital e Poder, e a experiência foi, sem exagero, marcante.
Formado em Tecnologia da Informação e com diversas pós-graduações na área, Patrone se destaca como um gestor de alto nível. Atua como CEO em empresas relevantes do setor em Maringá, como a BNP Software e a Software Bar.
No entanto, o que mais chama atenção em sua trajetória não é apenas a competência técnica ou executiva, mas sua capacidade de compreender — com rara profundidade — o impacto da tecnologia na vida humana.
Em um cenário frequentemente marcado por entusiasmo acrítico em relação à inovação, Patrone se destaca por propor um necessário contraponto. Ele nos convida a refletir sobre aquilo que, muitas vezes, é negligenciado: o custo humano do desenvolvimento tecnológico.
Não se trata de negar os benefícios do avanço — que são evidentes —, mas de reconhecer que existe um “outro lado da história”. À medida que a tecnologia avança, o ser humano, paradoxalmente, pode se ver limitado.
Essa limitação se torna mais evidente em setores onde a tecnologia substitui atividades humanas que antes eram fonte de renda, identidade e produtividade para grande parte da população. O impacto, portanto, não é apenas econômico, mas também social e cultural — dimensões que já começam a se manifestar de forma clara na contemporaneidade.
Um dos pontos centrais levantados por Patrone diz respeito à forma como a tecnologia é utilizada pelas pessoas.
Para muitos, ela se apresenta como um substituto de tarefas — automatizando processos e reduzindo a necessidade de intervenção humana. Para outros, no entanto, a tecnologia funciona como uma extensão da inteligência, ampliando capacidades, potencializando competências e abrindo novas possibilidades.
A questão crucial, então, não está na tecnologia em si, mas no acesso e na preparação para seu uso qualificado.
Quantos indivíduos, de fato, têm acesso à tecnologia como ferramenta de expansão de suas capacidades? E, mais importante, quantos estão sendo educados para utilizá-la de maneira estratégica, crítica e consciente?
A reflexão proposta por Patrone aponta para um problema estrutural: a desigualdade no preparo para o uso da tecnologia.
Não basta disponibilizar ferramentas tecnológicas. É necessário formar indivíduos com competência e consciência para utilizá-las em benefício próprio e coletivo, valorizando seu papel dentro das atividades econômicas.
Sem essa base educacional, a tendência é clara: enquanto uma parcela da população se fortalece com o uso da tecnologia, outra é progressivamente substituída por ela.
Outro ponto sensível abordado na entrevista é o avanço de tecnologias como a Inteligência Artificial.
Patrone chama atenção para o fato de que já estamos vivenciando um cenário em que muitas funções deixam de exigir a presença humana. A automação e os sistemas inteligentes reduzem a necessidade de mão de obra em diversos setores, gerando um movimento de substituição em larga escala.
Mais uma vez, a questão central não é a tecnologia em si, mas a forma como a sociedade se organiza para lidar com seus efeitos.
Robinson Patrone representa um perfil ainda pouco comum no mercado: o de um gestor que alia excelência técnica, visão estratégica e consciência social.
Sua atuação demonstra que é possível liderar processos tecnológicos sem perder de vista o impacto humano de cada decisão. Trata-se de uma liderança que compreende não apenas o “como fazer”, mas, sobretudo, o “para que fazer” e “quais serão as consequências”.
A entrevista é, sem dúvida, uma oportunidade valiosa para quem deseja compreender com maior profundidade os desafios contemporâneos envolvendo tecnologia, trabalho e sociedade.
Fica aqui o convite: busque essa conversa, reflita sobre seus pontos e, sobretudo, questione o seu próprio posicionamento diante da tecnologia.
Afinal, mais do que dominar ferramentas, o grande desafio do nosso tempo é compreender o papel humano em um mundo cada vez mais tecnológico.
Para assistir à entrevista, acesse o canal da TV Unifatecie no YouTube e acompanhe os episódios do podcast Capital e Poder.