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Nem todos agem com clareza de consciência ou coerência na busca de seus interesses, já reparou? As atitudes de um ser humano nem sempre denunciam a sua essência. Há uma diferença crucial entre o comportamento manifesto e a intenção subjacente.
Quando buscamos agir para atingir um objetivo específico, almejando um determinado destino, nosso comportamento pode se mostrar inadequado, traindo as nossas intenções mais profundas. Há, nesse ponto, uma lacuna entre o fazer e o ser.
Nessa hora, o observador pode incorrer em um julgamento equivocado. Ao considerar que a atitude isolada define o indivíduo, ele desconsidera o sentido, os valores e a real essência da pessoa, que não está sendo plenamente expressa.
Pode parecer um dilema complexo, mas a mecânica é clara: quando observamos, estamos diante da ação, incontestavelmente. Não por acaso, é vital que sejamos cautelosos com o que expressamos em nosso comportamento, pois ele se torna a moeda de troca da percepção.
Em ambientes marcados por valores profundos — o que, no universo da cultura organizacional, chamamos de DNA Social ou Corporativo — há uma forte tendência a julgar certos atos associando-os a conceitos pré-determinados.
A lógica por trás dessa associação é histórica e, por vezes, simplista. Há tempos, uma tatuagem no corpo era prontamente associada a um caráter duvidoso ou a intenções deturpadas. Da mesma forma, um homem vestindo uma roupa cor-de-rosa era categorizado como homossexual. Por meio de uma única expressão, associa-se um conceito carregado de valores (ou de preconceitos).
Você pode argumentar que o preconceito se manifesta em nós das mais diferentes formas e que estamos, de certa forma, “condenados” pela nossa visão tendenciosa. E sim, isso é uma verdade. Porém, essa reflexão também é válida para o nosso próprio comportamento. Se observamos de maneira distorcida o comportamento alheio, tendemos a agir também com distorção.
E é a cultura que irá denunciar essa percepção. O ambiente de convivência é permeado pela cultura em todos os níveis. É na relação que estabelecemos com os seres humanos à nossa volta que se expressa o sentido dos nossos interesses. Sem esse alinhamento cultural (mesmo que implícito), não haveria convivência, sentido de agir ou a intenção de buscar e de ser.
É fundamental reconhecer: nos grupos humanos e em determinados contextos, esses sentidos podem mudar, expressando diferentes intenções. Não por acaso, é importante afirmar que as empresas são significativamente diferentes em seus ambientes culturais. Dependendo das regiões e dos países onde se situam, a distinção é claramente perceptível e robusta.
Portanto, cuide ao julgar o outro apenas pelo comportamento. É imperativo buscar entender as intenções, os valores e o propósito que as pessoas carregam nas relações que estabelecem e na maneira como se expressam. Se desejamos de fato conhecer a complexidade dos seres humanos, essa dimensão deve ser levada em conta, sempre.