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Cheiro do sucesso e a grama do vizinho: um dilema ético

“A grama do vizinho é sempre mais verde” é um ditado antigo que revela uma prática de pouco valor: a de invejar o que não nos pertence. No mundo corporativo, esse olhar sobre a vida alheia é o sintoma claro da dificuldade em lidar com a própria carreira. É o desejo latente de ser o que não se é.

Frequentemente, sentimo-nos descontentes com nossas entregas ou práticas profissionais. O risco surge quando passamos a considerar nossa própria identidade profissional detestável, perdendo o referencial do que nos satisfaz autenticamente. No ambiente de trabalho, as medidas do “sucesso” não são divinas; são construídas pelas relações, pelos símbolos de valor e pela pressão das lideranças.

O problema é que a normalidade raramente atrai; o que se destaca é a diferença superior. Assim, a “grama do vizinho” torna-se mais atraente quanto mais rara ela parece ser. Contudo, a vida profissional da maioria será marcada pela condição do comum. Como, então, medir quem somos sem cair na armadilha do desejo alheio?.

É preciso separar o que nos satisfaz do que satisfaz o mercado. Como diria Freud, é necessário separar o “Universo” de nós mesmos. Esse processo exige um mergulho profundo, analisando contextos sem usar o critério dos outros para concluir o que realmente nos faz bem.

Na obra O Perfume, de Patrick Süskind, o protagonista busca ser desejado através de um aroma que não é seu. Nas organizações, muitos lutam para projetar uma imagem (um “cheiro”) que agrada aos outros, sacrificando a própria essência por medo da rejeição. O erro ético reside em gastar energia tentando ser o que os outros esperam. A verdadeira coerência profissional nasce de gastar tempo consigo mesmo, garantindo que suas ações não sejam meras extensões dos desejos alheios

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