11/11/2016 às 08h53

PR 323 é uma regra, não exceção

O teatro do caos começou a ser construído na década de 1950 e se acelerou nos últimos 20 anos com o ambiente de consumo de veículos e caminhões, uma tendência de renovação da frota sem a renovação da malha rodoviária.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
O transporte rodoviário é fruto da má escolha e do malu trato...
Ontem a Igreja Católica pediu a duplicação da PR 323 para o secretário de Infraestrutura do Paraná, José Richa Filho. O representante do governo do Estado afirmou que não há recursos para duplicar a pista e o consórcio que ganhou a licitação da rodovia está envolvido na Operação Lava-Jato, o que impede a execução da obra por problemas judiciais.

Mas a PR 323 não é o mal maior, por mais que seja um dos principais problemas na nossa região. As condições das rodovias do país são assustadoras. Mais de 80% dela, dos mais de 1,8 milhão de quilômetros, não é pavimentada. Do que tem pavimento, 57,3% apresenta algum tipo de problema. Menos de 10% das pavimentadas é duplicada, o que é um pouco mais de 2% da malha. 

Quando se tem as rodovias de melhor qualidade, elas têm pedágio, ou seja, estão nas mãos da administração privada. E aí está a solução, privatizar a administração das rodovias. Também poder executar Parcerias Público Privadas (PPPs), o que permitiria reduzir os custos públicos com a malha rodoviária. São R$ 46,7 bilhões de prejuízo por ano com as perdas que as rodovias trazem.

Logo, as 21 pessoas mortas na PR 323, mês passado, é um preço elevado que pagamos por uma política governamental voltada a atender o consumo de automóveis e caminhões, a implementar um transporte que deveria atender a curta e média distância em modal nacional. As pistas simples, a maioria não pavimentada, é o encontro entre caminhões, ônibus, automóveis, motocicletas e, muitas vezes, a morte.

O teatro do caos começou a ser construído na década de 1950 e se acelerou nos últimos 20 anos com o ambiente de consumo de veículos e caminhões, uma tendência de renovação da frota sem a renovação da malha rodoviária. O Paraná teve um acréscimo de rodovias a partir do final da década de 1960. Poucas tiveram melhorias significativas, com exceção das privatizadas, nos últimos 20 anos. 

Por isso, temos que repensar entre o desejo do meio de transporte particular e as condições do transporte de cargas. Se queremos evitar mais mortes, temos que lutar para a melhoria das rodovias, duplicações por exemplo. Porém, o país precisa repensar sua logística de transporte urgente. Diariamente, um número maior de pessoas está sujeito a morte em um ambiente entre o excesso de veículos e a falta de investimentos em um modal falido.

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