09/11/2016 às 08h20

Vitória democrática do terror

Hoje o Mundo acordou com uma má notícia. A democracia, a liberdade de escolha, pode ter um preço elevado quando o voto fundado no sentimento imediato faz emergir um ditador. Com Hitler não foi diferente.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Democracia norte-americana seduzida pelo fascismo.
Alex de Tocqueville, pensador do século XIX, um defensor do liberalismo, afirmava: “Nada é tão maravilhoso que a arte de ser livre, mas nada é mais difícil de aprender a usar do que a liberdade”. Nela há o peso da escolha e as consequências quando é feita de forma irresponsável. Ser livre é um ato que requer juízo.

As eleições norte-americanas demostraram também um outro aspecto do pensador francês, o quanto a democracia pode ser ameaçadora quando a maioria, em sua escolha, tem pouca consciência do que está escolhendo. Este é o drama de uma nação que tem uma influência direta sobre o destino da humanidade e faz escolha no limite do seu dia-a-dia, coisas típicas do cidadão mediano.

Lendo as análises de economistas e cientistas políticos, nesta manhã, sobre a vitória de Donald Trump nas eleições presidenciais nos Estados Unidos, há a afirmação de que ele não irá levar a cabo suas propostas extremistas de colocar um muro separando o país do México, combater a imigração, romper novamente relações com Cuba e se aproximar da Rússia. Ele, segundo especialistas, fez destas bandeiras retórica para ser eleito. Será?

Independentemente do que venha acontecer, e esperamos que os especialistas estejam certos, Trump é uma tendência do mundo contemporâneo em suas escolhas democráticas, a tendência ao fascismo e autoritarismo. A busca de romper a liberdade como meio para garantir a particularidade. A lógica pessoal acima da social.

abre aspas

Nada é tão maravilhoso que a arte de ser livre, mas nada é mais difícil de aprender a usar do que a liberdade”

Alexis de Tocqueville

Também é importante para o mundo entender que os norte-americanos, pelo menos na distribuição por estado, já que o sistema eleitoral é distrital na terra do “Tio Sam”, tem uma tendência à visão míope e o cidadão mediano, nos Estados Unidos, vive de um nacionalismo arcaico alimentado ao longo da história imperialista. O patriotismo, também, cega.

A grande questão é, como o mundo vai reagir a um líder alucinado, inesperado, improvável, sem qualquer parâmetro de conduta. O mercado não reage bem a instabilidade, a insegurança. 

Hoje o Mundo acordou com uma má notícia. A democracia, a liberdade de escolha, pode ter um preço elevado quando o voto fundado no sentimento imediato faz emergir um ditador. Com Hitler não foi diferente. Claro que a história não se repete, mas quando há semelhanças no presente com a retórica do passado, a democracia vira uma comédia, cair no mesmo erro.

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