03/11/2016 às 16h45

Não ação sem consequência

Ainda vem a velha questão: Toda esta manifestação com ocupação de escolas contra a reforma na educação e a PEC do teto dos gastos públicos trará efeito? Tudo indica que não. Até agora, tem sido “um tiro no próprio pé”.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
O preço as ser pago é alto, pelas paralisações. Compensará?
O Ministério Público do Ceará entrou com um pedido para suspender o Exame Nacional do Ensino Médio que deve ocorrer neste final de semana. O pedido foi protocolado ontem e argumenta o princípio de isonomia. Considera que a prova trará prejuízo por tratamento desigual aos mais de 191 mil alunos que estão impedidos de fazer o ENEM por causa da ocupação de escolas.

O Instituto Nacional de Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) argumenta que não há tratamento diferenciado com a aplicação de duas provas em datas distintas. Aplicar duas avaliações já é prática antiga do Inep. Também, segundo o instituto, as provas têm grau de dificuldade idênticos.

Caso seja suspensa a aplicação do ENEM neste final de semana, serão mais de 8,6 milhões de estudantes prejudicados. Muitos se preparam para a prova há muito tempo. Um prejuízo que pode custar caro com o adiamento da prova. Além disso, desfazer e refazer a estrutura operacional para a prova são ações de custo elevado. Lembrando que a aplicação da prova agora e outra em dezembro também não sai barato aos cofres públicos.

Porém, o maior prejuízo é que há um grande número de alunos que já terão que amargar um final de ano com aulas remontadas e calendário prejudicado. O que significa mais prejuízo aos cofres públicos e a toda a cadeia operacional da educação. Levando em consideração que famílias refazem sua programação para poder digerir, no caso do Paraná, a retomada das aulas com calendário reelaborado, o prejuízo se desdobra.

Ainda vem a velha questão: Toda esta manifestação com ocupação de escolas contra a reforma na educação e a PEC do teto dos gastos públicos trará efeito? Tudo indica que não. Até agora, tem sido “um tiro no próprio pé”. E pelo jeito, os maiores prejudicados são aqueles que os movimentos prometeram defender. Se continuar assim, o que estamos assistindo nos movimentos de ocupação das escolas é um suicídio educacional.

Ouça o comentário sobre o tema:

 
 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS