31/10/2016 às 08h54

Mudança? Para onde vamos?

Há uma diferença entre mudar os móveis de lugar e mudar de casa. Podemos até trocar os móveis, mas nem todos saem do lugar. Contudo, a mobília rearranjada ou trocada dá uma sensação de casa nova. Será?

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Mudar não é a aparente transformação e sim a mudança de ação.
É fácil notar que em todo o país o desejo de mudar tem nome, CRISE. Os problemas econômicos que o país vive, associado a crise política, requer mudanças. Porém, para onde queremos mudar? Acredito que este é o dilema.

Todas as vezes que buscamos uma mudança temos que ter um sentido. Mas, nem sempre ele existe como algo racional. Muitas vezes, nossa mudança é fundada na experiência tida com o que desagrada sem ter claro o fator determinante de nosso problema. Apenas queremos mudar. Um sentimento incomodo, como dor sem explicação. 

Há uma diferença entre mudar os móveis de lugar e mudar de casa. Podemos até trocar os móveis, mas nem todos saem do lugar. Contudo, a mobília rearranjada ou trocada dá uma sensação de casa nova. Será?
Este é o meu medo, a mudança sem sentido. 

A verdadeira mudança é estudada, planejada e executada com um destino certo, forjado pelo estudo e reflexão constante das consequências dos atos, principalmente em longo prazo. Entender que a nossa vida muda não por um milagre, por uma única escolha, mas por estabelecer relações e ações diferentes com o que realmente importa. Não precisamos de salvadores da pátria. Não precisamos trocar a mobília da casa, mas aprender a mudar.



abre aspas

Quantas destas escolhas pode nos levar para um lugar melhor ou pior? Claro que ainda é cedo para saber. Mas algumas previsões aparentes de nossa partida podem apontar o nosso destino.”

Gilson Aguiar

Nestas eleições, a população demonstrou a vontade de mudar. Mas o quanto desta vontade se expressa em uma escolha que mude de fato? Quantas destas escolhas pode nos levar para um lugar melhor ou pior? Claro que ainda é cedo para saber. Mas algumas previsões aparentes de nossa partida podem apontar o nosso destino.

As três cidades do Paraná que tiveram segundo turno, nestas eleições, são um sinal. 

Em Maringá, Ulisses Maia venceu Silvio Barros por uma porcentagem significativa dos votos, 58,88% contra 41,12%. O candidato da atual administração não saiu do lugar do primeiro para o segundo turno. No sentido inverso, Maia se apresentou como oposição e angariou um grande número de votos que no primeiro turno foi dado a outros candidatos.

Em Curitiba, na capital do Estado, a vitória de Greca (53,25%) sobre Leprevost (46,75) foi uma demonstração de mudança ainda no primeiro turno. Gustavo Fruet, atual prefeito, ficou para trás no início de outubro.

Em Ponta Grossa, mesmo se reelegendo, Marcelo Rangel, ficou com 55,38% e enfrentou Aliel Machado, que ficou com 44,62%. Vitória da situação sem deixar claro o descontentamento da população. 

O que resta saber agora é o que é mudança de fato e o que é apenas a aparência estética que gera sensação de movimento sem sair do lugar. Vamos saber nos próximos quatro anos se fizemos uma escolha por um caminho diferente ou se estamos ainda sentados esperando que um “milagre” aconteça. 

Porém, independente da escolha é sempre bom saber que ela só muda nossas vidas se mudarmos nosso comportamento. Se aprendermos que na administração pública o que faz diferença são as ações do cidadão em sua pressão de direito sobre os representantes públicos e o serviço público. 

Quantas vezes em nosso dia a dia, mudamos os objetos a nossa volta, mudamos de pessoa com quem nos relacionamos, fazemos reformas, pintamos paredes, trocamos os móveis de lugar e nos esquecemos de que a principal mudança está em nossos atos. Porém, para isso, é preciso ter consciência do que realmente precisa mudar.

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