28/10/2016 às 08h12

Nossa guerra permanente

Nossa guerra civil, em comparação com a Síria, ela é constante e intensa. Não traz propostas ideológicas ou apresenta lados opostos onde o inimigo é declarado e, por isso, possível de ser combatido de forma objetiva. A pior das guerras é aquela que ameaça a todos, não tem lugar e nem rosto.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Violência constante e uma guerra anônima
Dados anunciados no Fórum Brasileiro de Segurança Pública e que será divulgado no próximo dia 3 de novembro, mostra a os números de nossa guerra civil. No ano passado, foram 160 pessoas assassinadas por dia no país. No ano, o número é de 58.383 mortos. São 9 pessoas assassinadas por minuto.

Para se ter uma dimensão do que isso significa, entre 2011 a 2015, são 278.839 pessoas assassinadas, na guerra da Síria o número de mortos no mesmo período foi de 256.124. Os dados sobre a guerra síria foram obtidos a partir de levantamento da ONU. E ainda tem gente que considera o Brasil um país pacífico e quem se preocupa com a violência no Oriente Médio e não percebe que temos uma guerra em andamento em nosso território.

Nossa guerra é constante e se agrava na proporção em que a miséria persiste. A crise que vivemos nos últimos anos tem agravado os índices de violência, de criminalidade. O ambiente de empobrecimento da população arregimenta os sem perspectivas para a violência. Ignorância e miséria são letais.

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A demonstração clara de que a violência acompanha a desigualdade econômica e a baixa instrução estão no mapeamento nacional da violência. ”

Gilson Aguiar

A demonstração clara de que a violência acompanha a desigualdade econômica e a baixa instrução estão no mapeamento nacional da violência. Os estados do Norte e Nordeste continuam na frente em número de homicídios. Sergipe, que este ano superou Alagoas em número médio de homicídios dia, chegou a 18,2. Lembrando que os alagoanos comemoram uma queda no número de assassinatos, 20,8%. Em São Paulo, o número de homicídios foi de 11,7, por dia e Santa Catarina, 14,3%.

Voltando a falar da nossa guerra civil, em comparação com a Síria, ela é constante e intensa. Não traz propostas ideológicas ou apresenta lados opostos onde o inimigo é declarado e, por isso, possível de ser combatido de forma objetiva. A pior das guerras é aquela que ameaça a todos, não tem lugar e nem rosto. 

No Brasil, por exemplo, os maiores beneficiados com o tráfico de drogas, principal motivador imediato da violência, são empresários e políticos que comandam e colaboram com o crime organizado e nunca são vistos em vídeos declarando a fidelidade ao que os sustentam. Os miseráveis, assassinos e assassinados, estampados nas manchetes dos jornais, garante a continuidade de uma guerra que gera lucros fantástico na proporção dos cadáveres humanos acumulados todos os anos. 

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