27/10/2016 às 07h54

Crise e vaidade, ingredientes de atrito

Há sempre que se pensar que na disputa entre representantes de poderes, as intenções vão além do cargo. Estamos vivendo um momento de tensão. Há neste contexto a oportunidade de execução dos mais diversos interesses.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Na crise os seres humanos mostram seus interesses.
Não podemos negar que a crise que estamos vivendo e as “degolas” que assistimos, cria um vazio no poder. Desaparece determinados personagens de cena e fica o lugar que ocupavam. Nem sempre este lugar é um cargo oficial, uma função com título e dentro do organograma racional do poder. Muitas vezes este vazio é de uma liderança política, de uma expressão de influência. Há muitos que não tem cargo e tem mais poder do que os que sentam oficialmente na cadeira.

Estamos assistindo agora a briga entre dois personagens de respeito no país. Eles estão à frente de importantes cargos públicos. Um deles, o presidente do Senado, Renan Calheiros, é personagem histórico do poder e de influência incontestável. Fruto de uma relação de poder com um considerável tempo de formação no congresso nacional, ele foi um dos responsáveis pelos fatos que levaram as mudanças no Poder Executivo no país. A outra, a presidente do Supremo Tribunal Federal, a ministra Cármen Lúcia. Ela, recém empossada, assumiu para si as dores do juiz federal Vallisney de Souza Oliveira, que autorizou a deflagração da Operação Métis. A qual prendeu quatro policiais do legislativo federal. Cármen Lúcia foi clara, “mexeu com um membro do judiciário, mexeu comigo”.

abre aspas

Estamos vivendo um momento de tensão. Há neste contexto a oportunidade de execução dos mais diversos interesses. Alguns para o bem, na busca de dar ao país um perfil ético que efetivamente pouco existe, e outros para o mal.”

Gilson Aguiar

Há sempre que se pensar que na disputa entre representantes de poderes, as intenções vão além do cargo. Estamos vivendo um momento de tensão. Há neste contexto a oportunidade de execução dos mais diversos interesses. Alguns para o bem, na busca de dar ao país um perfil ético que efetivamente pouco existe, e outros para o mal. Este mesmo ambiente abre oportunidades para se ascender e se destacar, na proporção que se pode eliminar indesejáveis.

Se por um lado há interesses escusos no Poder Legislativo. Existe uma relação íntima entre o poder e a corrupção, na mesma proporção há os benefícios do judiciário que também são abusivos. Nem todos os membros dos dois poderes podem ser julgados por interesses mesquinhos, mas a existência de práticas torpes é movida por ações de cunho racional elevado e, também, pelos desejos pueris.
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