19/10/2016 às 09h00

Governo e professores fazem conta

O Estado não tem mão dura sobre o que é cumprido dentro de sala de aula, não administra de forma precisa e próxima o ambiente escolar. Muito do que acontece no dia a dia das escolas demonstra descaso, falta de seriedade e qualificação por parte de muitos docentes.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
abre aspas

O próprio governo não dá exemplo de austeridade. Não demite excesso de funcionários, não exige da justiça que cobre recursos desviados, sonegação, não acaba com a corrupção dentro de seus próprios quadros. ”

Gilson Aguiar

Educação não conta na conversa eng
Hoje o governo do Paraná e os professores estaduais em greve fazem conta. O primeiro alega não ter dinheiro para pagar o reajuste aos docentes, marcado para o início do ano que vem, não há dinheiro em caixa e o orçamento não poderá cobrir a despesa total de 2,1 bilhões com o reajuste. Já, os docentes alegam que o governo paranaense está subestimando a arrecadação e usa índices de inflação, juros, estagnação econômica que não condizem com os dados oficiais do Banco Central e da projeção da economia para 2017.

Os docentes alegam que o governo tem uma dívida com a categoria e tem que cumprir o pagamento, visão que o Tribunal de Contas do Estado Paraná também tem. Para os docentes da rede pública estadual o governo está usando de um ambiente pessimista para 2017, sendo que especialistas afirmam que o pior da crise já passou e estamos vivendo uma recuperação gradativa da economia.

Já por parte do governo, a justificativa é de que qualquer medida tomada sem ter segurança para o orçamento pode comprometer a governabilidade dos recursos públicos. Assumir despesas contanto com o otimismo não é o mais correto diante da necessidade de responsabilidade com o orçamento.
Bom, agora vamos para as vias de fato. A questão é polêmica, a conversa de hoje à tarde não deve surtir muito efeito. Os dois lados não têm uma margem grande de negociação. A mobilização dos professores com uma greve iniciada esta semana e a ocupação de escolas por parte de estudantes que são contrários à reforma na educação deixa o Governo do Paraná em uma situação política delicada. 

Porém, temos dois problemas crônicos alimentando este impasse. De um lado, sem tirar o direito dos professores que conseguiram uma negociação e agora querem o seu cumprimento, há uma má administração da educação no estado. Pagar os professores com bons salários é digno, contudo, ter bons professores é uma obrigação. O que se gasta tem que ser proporcional ao que se recebe. O governo não deveria medir esforços em cumprir sua obrigação e pagar o reajuste acordado. Por outro lado, tem que se ter capacidade de cobrar produtividade.

O Estado não tem mão dura sobre o que é cumprido dentro de sala de aula, não administra de forma precisa e próxima o ambiente escolar. Muito do que acontece no dia a dia das escolas demonstra descaso, falta de seriedade e qualificação por parte de muitos docentes. Os bons, qualitativos, com conteúdo e capacitados não são valorizados. Quando buscam construir dentro da escola um ambiente de conhecimento, pesquisa, aprofundamento de conteúdo, são, quase sempre, barrados, tanto por colegas, como pela direção, como, também, em alguns casos, pelos próprios alunos.

O próprio governo não dá exemplo de austeridade. Não demite excesso de funcionários, não exige da justiça que cobre recursos desviados, sonegação, não acaba com a corrupção dentro de seus próprios quadros. Uma economia da parte administrativa do poder público faria uma grande diferença no orçamento. Se há professores ruins e acostumados com a pouca cobrança, no corpo administrativo do estado esta é uma prática comum, não é um mal só da educação.

As vezes temos um diálogo do sujo com o mal lavado. Realmente é difícil chegar em um acordo.

Ouça o comentário sobre o tema:

 
 

ÚLTIMAS NOTÍCIAS