13/10/2016 às 09h28

A tendência “portuguesa” de imobilizar o patrimônio

A empresa colonial lusitana implantou a lavoura extensiva, fundada no monopólio canavieiro. Os engenhos, a agroindústria açucareira foi bem sucedida. Com o trabalho escravo se estabeleceu a mão de obra nas terras tropicais portuguesas.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
A herança portugesa

A herança portugesa

Heranças econômicas portuguesas, impregnadas.
Quando os portugueses desembarcaram na América, em 1500, naquelas que viriam a ser o Brasil, realizando o sonho da “Grande Portugal”, ele não vieram apenas para implantar sua empresa colonial, fizeram mais que isso, deixou aqui seus hábitos. Na “Carta de Pero Vaz de Caminha” uma expressão significativa da cultura portuguesa em relação a terra recém dominada, “suas terras, senhor meu rei”.

A empresa colonial lusitana implantou a lavoura extensiva, fundada no monopólio canavieiro. Os engenhos, a agroindústria açucareira foi bem sucedida. Com o trabalho escravo se estabeleceu a mão de obra nas terras tropicais portuguesas. Eles, os afros, se tornaram “as mãos e os pés dos senhores de engenho”, segundo considerava o Padre Antonil, durante o período colonial.

Mas esta empresa fundada no engenho açucareiro deixou uma marca indelével nos hábitos da colônia. Levando em consideração a própria forma como os indígenas e afros se relacionaram com o ambiente econômico fundado nos interesses lusitanos. Os três elementos formadores dedicados ao imediato, buscando resolver na existência diária, um problema de cada vez. Realmente o planejamento em longo prazo não fez parte de nossa formação.

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Enquanto no crescimento industrial há uma necessidade significativa da inovação, aprimoramento, aperfeiçoamento e redução de custos, e on capital financeiro a especulação e desapego ao bem material é uma constante, a economia agrária lusitana se funda no apego a terra e na resistência a inovação. A velha questão: “Do que mais nós gostamos? Gostamos do dinheiro ou das coisas que ele compra?”.”

Gilson Aguiar

Por isso, o patrimonialismo como prática do governo português, onde o patrimônio privado e púbico se confunde desde a formação por ter um rei senhor de todas as coisas e pessoas. A frase de Caminha, citada anteriormente, ilustra este acúmulo de posses como a expressão da riqueza. Este talvez seja um hábito adquirido expresso em um estado agigantado e pouco eficiente em relação a estrutura capitalista em seu desenvolvimento após a Revolução Industrial e o papel fundamental do capital financeiro.
Enquanto no crescimento industrial há uma necessidade significativa da inovação, aprimoramento, aperfeiçoamento e redução de custos, e on capital financeiro a especulação e desapego ao bem material é uma constante, a economia agrária lusitana se funda no apego a terra e na resistência a inovação. A velha questão: “Do que mais nós gostamos? Gostamos do dinheiro ou das coisas que ele compra?”.

Talvez, por isso, nossa forma de nos relacionarmos com o dinheiro associado ao bem material, ao patrimônio imobilizado, seja uma constante. Gostamos de terra, acreditamos que o patrimônio físico é a essência do enriquecimento. Uma ilusão. Ainda mais em tempos de crise que mostram que o que tem valor hoje se sustenta na inovação e especulação. Hábitos que nossa formação não nos deu.

A prática de interferência constante na economia e ter o controle sobre as relações as relações sociais, de forma autoritária, diga-se de passagem, está na forma como o Estado português foi organizado. A conquista centralizada no Rei, senhor que concede benefícios e cobra fidelidade. Te o controle do patrimônio onde as pessoas vivem e necessitam para sobreviver garante ao Estado poder. Não por acaso, o poder se consolida nas mãos do seu senhor, o estado. A monarquia foi bem sucedida como a primeira forma de governo após a independência muito por esta prática. 

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