05/10/2016 às 20h23

Cidadão Racional e o Eleitor passional

A habilidade de um homem público, muitas vezes, é saber lidar com estes sentidos e valores do eleitor. Esta forma criticada e praticada constantemente de acreditar no salvador da pátria, na resolução dos problemas de forma milagrosa, de fazer as coisas serem apenas por boa vontade do gestor.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
abre aspas

A política é, também, a arte da sedução pela falácia. O governante ascende pela capacidade de expressar desejos, muitos irrealizáveis. O enganado consente e legitima a mentira condenatória.”

Gilson Aguiar

O eleitor brasileiro expressa na razão o que sua sedução eleitoral condena.
Meus caros, quem são os eleitores? Temo a lógica política que se afasta dos valores e sentidos que as pessoas dão ao poder, ao Estado, ao governo. Há no Brasil uma construção de uma relação cheia de vícios e hábitos construídos e consolidados em relação ao cidadão e o Estado. 

A habilidade de um homem público, muitas vezes, é saber lidar com estes sentidos e valores do eleitor. Esta forma criticada e praticada constantemente de acreditar no salvador da pátria, na resolução dos problemas de forma milagrosa, de fazer as coisas serem apenas por boa vontade do gestor. Há um certo amor a mentira sedutora. É como se o eleitor pedisse para ser enganado e se não for feito não terão seu voto. 

Na vida pública, do homem público reivindicamos alguém sincero, capaz de nos falar o que deve ser feito. Desejamos alguém que trabalhe mais e faça espetáculo e propaganda de menos, desejamos a solução. Porém, não é esta prática que seduz o eleitor. 

O que espero em uma campanha eleitoral é a tal da proposta racional fundada na lógica administrativa da máquina pública. O que fazer, como fazer e por que deve ser feito, são princípios fundamentais para a escolha.

Mas quem disse que a sedução tem relação com a lógica? Ela é mais emoção. O desejo de ver resolvido o imediato de forma rápida, pela simples vontade é uma percepção sentimental. A razão, muitas vezes, destrói as fantasias alimentadas em nossa mente para nos dar a percepção de inteligência. Por isso, a vitória nas urnas, para uma grande parte dos candidatos, não é falar o que se deve, mas o que as pessoas querem ouvir. 

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