03/10/2016 às 09h28

Efeito nacional

Nas campanhas, a mudança fez parte da promessa, porém, o histórico dos candidatos demonstra uma fidelidade de eleitores e de práticas políticas ainda eficientes. A população tem nas necessidades imediatas e na convivência no bairro um fator determinante para a escolha do candidato.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
abre aspas

O poder tem muitas faces, mas a busca é um desejo que para muitos homens públicos se explica por si mesmo.”

Gilson Aguiar

Mudança é discurso sedutor, mas não se traduz em realidade.
Ontem, foi impossível negar os efeitos do ambiente econômico e político nacional nas eleições municipais. Na escolha dos vereadores em Maringá, a grande maioria dos parlamentares municipais não se reelegeram. Alguns personagens circenses não conseguiram o voto, um bom sinal. Porém há o retorno de velhos nomes, no sentido e proporção inversa do bom e ruim, mas do mesmo, Odair Fogueteiro e Mário Hossokawa. Os dois já foram parlamentares e voltam.  

Nas campanhas, a mudança fez parte da promessa, porém, o histórico dos candidatos demonstra uma fidelidade de eleitores e de práticas políticas ainda eficientes. A população tem nas necessidades imediatas e na convivência no bairro um fator determinante para a escolha do candidato. O país busca uma saída. Mas nem sempre este efeito é uma demonstração efetivamente de alteração de rumo político ou administrativo. 

Na disputa pelo executivo municipal, pela prefeitura de Maringá, tem agora no segundo turno dois candidatos que já foram elementos do mesmo agrupamento político. Ulisses Maia foi chefe de gabinete de Silvio Barros, também foi um dos mais importantes aliados políticos do poder executivo dentro do legislativo. Agora estão em lados opostos. 

Os personagens políticos que assumiram o papel de romper com o que se denominou de política tradicional foram gerados por ela. A uma lógica de poder inegável que se mantém. Temo que a busca pelo poder tem apenas o sentido de alcança-lo. Por aí se entende a fisiologia da administração pública.  

Da mesma forma que não se joga no lixo o que se construiu, romper não pode significar perder. O simplismo do que se propõe é mais para encantar o eleitor com saídas fáceis do que realmente fazer diferente. Por isso, como eleitores, temos sempre que buscar entender quem realmente tem na ação um sentido diferente. Talvez a história sempre nos ajuda a entender melhor com quem estamos lidando. 

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