12/12/2014 às 09h11

O controle da burocracia e o poder

Estamos assistindo há um espetáculo que há muito tempo se passa nos bastidores, agora, em uma edição limitada, se dá no palco, aberto ao público. Para se entender o sucesso da corrupção temos que compreender a dimensão da burocracia e qual a intensão.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Senhores do Poder

Senhores do Poder

O poder tem dono, muitas vezes eles não estão a mostra.
Estamos assistindo um espetáculo que há muito se passa nos bastidores. Agora, em uma edição limitada, se dá no palco aberto ao público. A Operação Lava-Jato está levantando informações sobre o envolvimento da Petrobrás, empreiteiras e políticos no desvio de recursos públicos, lavagem de dinheiro e formação de quadrilha. 

A prática é antiga, sem dúvida. Aqui não se trata do poder de uma classe econômica que manipula o Estado para atender seus interesses. A prática de corrupção é uma relação constante estabelecida entre o controle dos meios de governar e definir condições que permitem a certas empresas a ascensão econômica dentro do ambiente monitorado pelos agentes públicos.

Para se entender o sucesso da corrupção temos que compreender a dimensão da burocracia e qual a intensão. Como se estabelece a necessidade do Estado e a sua participação nas relações econômicas? Qual a relação entre o poder público ao necessitar ou não de um serviço contratado à iniciativa privada? 

O Estado brasileiro é imenso, está por todos os lados, nada se faz sem ele ou não se faz por interesse “dele”. O poder público se agigantou ao longo da história, ganhou tentáculos e se associou com uma elite ignorante e mal intencionada. Parte considerável dos empresários que constituíram um patrimônio na relação com o poder público o fizeram não por mérito, mas por manipular interesses torpes, trocas de favores para a sustentação do poder. 

O coronelismo da Primeira República (1889 a 1930) não foi dizimado com a ascensão do poder getulista e do trabalhismo instalado por Vargas. Manteve-se associado as práticas de mando local com as quais compactou e se adaptou para atender interesses. Os grandes proprietários de terra que comandavam um grande número de pessoas subordinadas ao se poder econômico, agiam direta ou indiretamente através do controle do poder público, da manipulação da ascensão a representação do poder. 

As famílias que se alimentam dos privilégios públicos, muitas delas, atravessaram décadas, gerações e séculos na convivência perniciosa com o poder do Estado. A política se torna uma profissão nestas condições, na associação entre o poder e o controle da máquina pública. Não por acaso, uma grande parte das profissões associadas as necessidades do cidadão querem fazer concurso público, entrar na máquina do Estado. 

O que estamos assistindo com os escândalos que a Operação Lava-Jato expõe é a retroalimentação do Estado em relação aos “sócios do poder”. Muitos, por todos os lados. A rede que permite se formar uma “casta política” está expressa na forma como empresas, políticos, funcionários públicos se organizam para manter sob seu controle o funcionamento de uma instituição ou serviço público. Agem da mesma forma que o crime organizado no tráfico de drogas. Enquanto um atua na periferia urbana, no “morro”, o outro nos palácios de governo ou repartições públicas.

 
 

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