publicado em 24/11/2014 às 22h49
e atualizado em 24/11/2014 às 22h55

Sedutora vida alheia

Amargamos certa angústia com nossa própria existência. Fugimos constantemente de vê-la como uma prioridade. Ter que dar conta de nossas ações nos requer mais coragem do que bancar o enxerido na vida dos outros.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Olhos nos outros

Olhos nos outros

Estamos mais dispostos a nos deixar levar pela vida alheia do que pela nossa
Não adianta querermos resolver o problema da humanidade. Sem dúvida, se conseguirmos superar os nossos já está de bom tamanho. O engraçado é que os dilemas alheios sempre foram mais atrativos para nossas buscas de solução do que os que nos aflige. Por quê?

Amargamos certa angústia com nossa própria existência. Fugimos constantemente de vê-la como uma prioridade. Ter que dar conta de nossas ações nos requer mais coragem do que bancar o enxerido na vida dos outros. Temos a disposição inúmeros subterfúgios para descarregar no próximo toda a nossa preocupação de julgar. Se a culpa não é do outro, pelo menos ele é o objeto de julgamento constante.

Nas empresas, esta prática de julgamento ganha força na atualidade. Não que inexistisse antes. Porém, estamos diante de uma sociedade que tem meios de manter conversas entre funcionários sem que os demais, ou os objetos do diálogo sentencial, possam saber o conteúdo. Talks, MSN, Skipe, Facebook e tantos outros geram a possibilidade das dissertações imensas sobre o condenado.

A alteridade deveria existir nestas horas de diálogos condenatórios. A sentença dada ao outro poderia ser merecida por nós? Esta deve ser a questão dominante diante de nossa sentença. Estamos tão expostos ao julgamento alheio como os demais que estão a nossa volta. O que nos resta é compreendermos o nosso próprio limite para repensarmos a semelhança entre os erros alheios e nossas condutas.

 
 

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