22/11/2014 às 09h29

Ter medo

Pais autoritários tendem a ter filhos mentirosos, a serem enganados ou a criarem covardes. Esta conduta rasa que muitos consideram “profundas” por ignorância ou temor, eis ele aqui de novo, o medo, derrubam inúmeras possibilidades.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Existência

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A vida é uma só e percorrê-la com medo nos leva a lugar algum.
A grande maioria de nós tem. Eu tenho, quase que constantemente. Isso, por um lado, é bom. O medo constrói um limite dentro de nós que nos orienta, leva a conduta a um grau de coerência necessária para perceber a existência das demais pessoas e o quanto necessitamos respeitá-las. Porém, o excesso de medo gera um desrespeito a nós mesmos. É deste medo que eu quero falar.

Ter aquele constante sentimento de que a ineficiência é regra na sua conduta. Acreditar que todos os que te rodeiam tem mais potencial do que você. Cargas de sentimentos que não fazem bem a ninguém. Porém, isso tem origem, há um lugar de nascimento deste autoritarismo interno. Ela, o princípio do “eterno medo” está no começo de nossa vida.

Acredito que nossas relações familiares são fundamentais para determinarem nossas intenções. Não são as únicas, mas tem um papel vital na definição de nossa autoconfiança em atingir metas e construir um objetivo em longo prazo. 

Pais autoritários tendem a ter filhos mentirosos, a serem enganados ou a criarem covardes. Esta conduta rasa que muitos consideram “profundas” por ignorância ou temor, eis ele aqui de novo, o medo, derrubam inúmeras possibilidades. Romper com este passado é fundamental. 

Quero apenas lembrar que ignorância paterna não é a falta de conhecimento científico, a pouca freqüência escolar para ser mais exato. O problema fundamental aqui é a cadeia de intenções que movem os seres humanos. Pais que muito reprimem temem os sentimentos que carregam dentro deles mesmos. Um exemplo é a sexualidade, o cuidado exagerado com o comportamento dos filhos, o controle sobre o corpo da prole, pode ser uma denuncia dos desejos instintivos dos progenitores. Evitar que os filhos encontrem na rua a má intenção que muitos pais carregam dentro de si.

Logo, romper com o medo é conhecer a si mesmo e entender onde foram plantados dentro de nós os discursos autoritários. Poder colocar um fim nesta “herança maldita” começa por identificar quem no deixou o “presente de grego”. A partir daí não deixar que continue brotando em nós a “erva daninha emocional”. 

Gosto de Sartre quando ele nos joga contra nós mesmos, nossa existência. Somos condenados a solidão de existir em nós e não nos outros. Estamos diante de um sentimento que não podemos nos esquivar, condenados a individualidade. Ela é o nosso canal com o mundo. Por isso, somos um nada que se completa dando sentido a todas as coisas, mas saber que elas existem a partir de nós. Não somos uma extensão das coisas. Nós é que damos sentido a existência do que nos cerca. Mude!

 
 

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