30/10/2014 às 14h33

Igualdade teórica e não prática

Nossas filhas, adolescentes e jovens, estão nas universidades ou se encaminham para elas. Não são mais educadas para casar, e sim para construírem uma vida profissional.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Igualdade de gênero

Igualdade de gênero

Mulheres e homens iguais
Homens e mulheres traçam uma diferença vital na vida humana. Esta diferença é o elemento para a constituição da sociedade. Será? Como afirma Helen Fisher a antropóloga norte-americana, estamos vivendo a plena emancipação da mulher, algo que ela já usufruiu no passado distante, na origem da espécie humana sobre a terra. Logo, a frase de que a mulher pela sua natureza é mais frágil e submissa ao homem não vinga.

Mas em alguns países há um reduto de resistência machista. O Brasil parece ser um destes países. Segundo o levantamento do Relatório de Abismo de Gênero, elaborado pelo Fórum Econômico Mundial, nós estamos distantes de uma igualdade no mundo do trabalho e na vida pública em relação a mulher. 

Ocupando a 71ª posição, o país avançou na educação, hoje as mulheres já representam a maioria dos estudantes universitários, contudo, quando se fala em remuneração, o país tem uma significativa diferença de salários entre os gêneros. Mulheres ganham menos que os homens cumprindo a mesma função. 

Outro dado foi em relação a representação pública, as mulheres brasileiras são a maioria dos eleitores, mais de 51%, porém elas não chegam a 15% dos representantes públicos. Mulheres não votam em mulheres, mais que isso, elas ainda precisam atuar na vida pública e se transformarem em opção política. A vida pública é dominada pelos homens.

Um dado animador neste relatório e a saúde da mulher brasileira. Ela melhorou e tem qualidade de países desenvolvidos. Há programas voltados a prevenção e tratamento de doenças típicas das mulheres. Elas vivem bem mais que os homens e devem prolongar ainda mais suas vidas nos próximos anos. 
Mas a vida não é só estar vivo. Viver é ter algo a executar ao longo da jornada da existência. Para isso, a qualidade de vida passa por uma remuneração melhor e uma representação pública de fato. 

Nossas filhas, adolescentes e jovens, estão nas universidades ou se encaminham para elas. Não são mais educadas para casar, e sim para construírem uma vida profissional. O casamento e os filhos repousam na escolha e não mais na obrigação. A emancipação é a meta que devemos buscar intensamente para ver renascer a plena igualdade de gêneros. Só temos a ganhar com isso.

 
 

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