publicado em 11/10/2014 às 09h57
e atualizado em 11/10/2014 às 10h14

A emancipação da mulher

A mulher dos bandos nômades cria seus filhos sem a necessidade de um parceiro. Elas fazem sexo com os que lhe atraem, e a sedução não está em rituais de submissão típicas de nossa sociedade.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Mulher Guerreira

Mulher Guerreira

A liberdade primitiva e a busca contemporânea
Na longa história da humanidade, a igualdade foi a regra. Fomos nós, os civilizados que criamos a exceção. Caçar, pescar e colher eram uma prática de homens e mulheres. Nômades, os primeiros habitantes do Planeta eram predadores e presas. Eles estavam expostos ao perigo e também era uma ameaça a outras espécies. Os filhotes deste bando de homens deveriam se emancipar o mais cedo possível.

 Neste ambiente de “igualdade instintiva” a liberdade não tem limites. É a “felicidade primitiva” argumentada por Rousseau. O desejo era correspondido sem as regras que “civilizam” o ser humano e lhe garante a racionalidade da organização social. A mulher dos bandos nômades cria seus filhos sem a necessidade de um parceiro. Elas fazem sexo com os que lhe atraem, e a sedução não está em rituais de submissão típicas de nossa sociedade: o homem que paga a conta do restaurante, aquele que faz o discurso de provedor ou protetor. Ela, a mulher primitiva, não precisava de protetor. 

A jornada da humanidade na face da terra mudou, a mulher foi gradualmente submetida na proporção em que o nomadismo foi dando lugar ao sedentarismo. Ao fixar-se em um determinado território, a necessidade de reprodução e adestramento do corpo cresce. A mulher nômade, de corpo atlético, forjado nas longas marchas, começa a dar lugar à reprodutora domesticada. Ter filhos para o seu marido, para a lavoura, para a criação dos animais, todos os herdeiros do homem que lhe apropriou o corpo e se impôs como provedor.

A mulher submissa passou a sua vida dentro do ambiente doméstico. Foi a primeira educadora familiar, ela passou para os filhos as normas do grupo, as regras de controle físico, o artesanato, os rituais religiosos, etc. Ela foi a mulher mãe e representante do Estado desde sua origem. Se a moral e a ética social fizeram o efeito esperado na sociedade, foi a matriarca com sua eficiência o sucesso das regras civilizadoras básicas.

Agora esta mulher já não existe. Ela não cabe mais na organização complexa que começou a se desenhar com a Revolução Industrial. Emancipada pela organização da produção ou pelas conquistas que o meio econômico exigia, ela retoma o lugar da caçadora do passado. Aos poucos, 300 anos até aqui, apresentam esta jornada de mudança que lembra a mulher original que abordamos no início deste texto. Porém, há uma questão que se coloca: Como será a transição da mulher para a sua plena emancipação? A violência que assistimos os discursos contraditórios, os temas mal trabalhados como o aborto, são sinais de um tempo nebuloso de mudança.



 
 

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