18/09/2014 às 13h21

Por que professor

Hoje me perguntaram do por que continuo sendo professor. E a resposta foi simples, porque ainda há pessoas no meio acadêmico que me inspiram e demonstram que não estou sozinho. Meus alunos, meu companheiros de trabalho.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
No mundo dos adultos as crianças se propagam
Hoje me perguntaram do por que continuo sendo professor. E a resposta foi simples, porque ainda há pessoas no meio acadêmico que me inspiram e demonstram que não estou sozinho. Meus alunos, meu companheiros de trabalho. Tenho por eles um digno respeito e estarei ombro a ombro, sem recuar. Valerá à pena a luta para construir algo mais.

 Não são muitos os que ao nosso lado podem ser chamados de professor. Os lugares estão invadidos por sensações e sensacionalismo. O exagero de fazer de pouca coisa muito e de não ensinar nada sem abrir mão do título de mestre. Há que ressaltar o número imenso de medíocres que encontram na educação sua UTI (Última Tentativa do Indivíduo). A desvalorização da função atrai os seres humanos de pouco valor. 

Entre os alunos não há diferença na consideração humana. Os que se permitem mudar diante da possibilidade que a academia lhes oferece mergulham na dúvida, no questionamento sobre a existência, na compreensão das relações que os cercam. Nestes, eu acredito profundamente, sou professor para eles. Porém, há os que se alimentam do ambiente para tentar por osmose ter a sensação de utilidade. Os que ao estarem no lugar sentem por influência da estética o peso de uma competência que não está em sua essência.

Na sociedade de consumo é possível comprar a sensação e fazer parte estética dos ambientes funcionais. Em todos os lugares a visão da maturidade confunde o adulto e a criança, todos, visualmente, se confundem, harmonizam. O olhar mais atento detecta e percebe a presença de seres infantis em meio aos maduros. Aqueles que são incapazes de perceber esta diferença pagam o preço de sua falta de critério e podem responder por um crime que não cometeram, “abuso de menor”. As crianças vestidas de adultos não abrem mão da infância quando o peso da responsabilidade pelos atos chega aos seus ombros.

Diante destas poucas possibilidades e da infantilidade que se propaga temos que apostar nos adultos. A racionalidade deve orientar nossa conduta. Ter uma convicção, um propósito, ir além do imediato. O desafio de viver é não fazer o óbvio, mas fazer do inesperado uma superação de obstáculos além de nós, principalmente para deixarmos uma marca que sirva de inspiração, deixar um legado que justifique a vida.

 
 

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