11/09/2014 às 15h03

A "lógica" dos objetos

Hoje, infelizmente, prolifera a infantilidade mental. Se há musculatura, é a adquirida na academia de ginástica diante de espelhos, na procura de impressionar pela estética o que a incapacidade do conteúdo denuncia.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Homem Objeto

Homem Objeto

Quando incorporamos a lógica dos objetos
Não se nega a angústia de viver, há problemas. Mas eles precisam ser superados. Viver é lutar contra os impasses, ir além, amadurecer. Se não enfrentamos as barreiras, não construímos musculosidade para resistir ao esforço. Para ter leveza e crescer diante dos limites, a capacidade de carregar o peso deixa a vida mais leve, o que se espera, maturidade.

Hoje, infelizmente, prolifera a infantilidade mental. Se há musculatura, é a adquirida na academia de ginástica diante de espelhos, na procura de impressionar pela estética o que a incapacidade do conteúdo denuncia. Aqui vale a regra, quem veio para comer não tem a necessidade de conversar. O que se quer, é saborear as formas e fazer do outro o que lhe dá sentido, o objeto.

Não faço a crítica à beleza. Ela é deixa a vida bem melhor. Contudo, reduzir a existência humana à mera condição aparente não é digno. Temos que ter e demonstrar algo mais. Um valor que não se percebe somente na simbologia que passa das marcas e produtos que decoram um corpo como extensão. Os manequins nas vitrines das lojas já exercem este papel. 

O que temo é a redução de um ser humano a mera extensão dos objetos que o cercam. Esta relação perniciosa que faz da lógica dos bens e dos serviços determinantes no sentido da vida humana. O criador agora se coloca no lugar da criatura. Ainda é, na realidade, os homens que geram os bens, os produtos, a vida material. É “pequeno”, medíocre, ter nos bens que decoram a vida a melhor parte de uma existência.

 
 

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