publicado em 19/08/2014 às 08h31
e atualizado em 19/08/2014 às 08h31

Entrevista FCV

No dia 12 de agosto fiz uma palestra para os alunos da Faculdade Cidade Verde. O tema foi o "Manual de Sobrevivência Contemporâneo". Acabei dando uma entrevista sobre o tema.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Gilson Aguiar

Gilson Aguiar

A consciência é a arma na atualidade
- Qual é o foco da sua palestra?
Valorizar a ciência e a consciência de nosso comportamento diante de temas relevantes, mas também daqueles que toma nosso dia a dia e nem sempre damos o devido valor. Temas importantes necessitam de posicionamento consciente. Somos contribuintes de problemas que condenamos. Se nos comportarmos com maturidade, melhoramos o meio em que vivemos e contribuímos para que outros a nossa volta tenha a dimensão da sociedade que nos cercam.

Não somos o “salvador da pátria”. Seria romântico considerar que uma pessoa fará a transformação nos “outros”. Além do que faríamos um mundo nos tendo como medida. Porém, podemos rever as relações que estamos estabelecendo e quais são nossas verdadeiras metas. O sentido que damos a nossa profissão, nosso comportamento pessoal, tem uma relação direta com os fenômenos que nos cercam.

O pai, o parceiro, o amigo, o profissional, o motorista, o pedestre, o cliente, somos muitos agentes em um só e convivemos com um grande número de pessoas. Não há como fugir as exigências que a sociedade estabelece sobre cada um de nós. Muito menos as convenções que herdamos ao longo do tempo. Elas permeiam nossas relações. Mas qual o sentido dos vínculos estabelecidos com o outros?

A compreensão racional não implica em uma ação calculada, uma razão absoluta. Mas uma orientação científica, lógica. Ação e reflexão colaboram profundamente para obtermos um resultado melhor com a vida, com aquilo que nos orienta. Não vou sair em defesa da causa feminista, não preciso participar de uma passeata em defesa da mulher, porém, o convívio que estabeleço com as pessoas pode promover ou não uma afinidade com estes temas. Infelizmente há um desprendimento entre a opinião e a ação. Os debates sobre determinados temas nunca nos colocam no centro do questionamento. Muito do que julgamos e, muitas vezes, condenamos, somos contribuintes.
O ensino superior deve ter este papel, a educação de uma forma geral. O que chamo de “olhar atento”. 

- Resumindo, como sobreviver no mundo contemporâneo?
A sobrevivência na sociedade de consumo é a orientação pela racionalidade. Mas com uma capacidade reflexiva de nos dar um posicionamento. Não vamos nos transformar em alguém especial, nem único. Não defendo o ser capaz de mudar tudo o que está a sua volta, seria ingênuo. Porém, a condição de entender e se posicionar de forma lúcida é necessária. A esta condição, chamo de maturidade. A responsabilidade sobre os atos. Toda a ação tem uma reação, saber prevê-la em estar consciente desta condição faz diferença.

Porém, há que se lembrar da intenção da ação. O que desejamos com o que praticamos? Para o estimulo de agir há um sentido. O porquê fazer é fundamental. A construção deste sentido é fundamental. Os fundamentos da ação. Se há matemática em todas as coisas, como a física está presente em alguns elementos, o que fazer com este conhecimento? Antes disso, o por que se interessar pela ciência?

Acredito que o conhecimento pode fazer toda a diferença. Mas nós temos que ser “diferentes” para compreender a importância da racionalidade. Isto acontece ao mesmo tempo. Não há como separar esta mudança. “Jogar diante do espelho” é a função do conhecimento que se propõe a fazer a mudança. Devemos ter esta busca. O que está a nossa volta tem um sentido racional, uma lógica. Por mais que, por vezes, a aparência de algo “mágico” se instale, é preciso ir além.

- Quais são os principais desafios da vida moderna?

Considero que a maturidade. Estamos nos descomprometendo com as decisões que tomamos. Abrindo mão de sermos livres e de todo o peso que esta condição exige. Ser dono dos meus atos é o que seduz, mas ser responsável por si mesmo já um peso para a grande maioria das pessoas, quanto mais se responsabilizar por outras pessoas. Se não formos capazes da renúncia, não temos competência para fazer escolhas. 

Ao escolher viver com alguém, abro mão de parte de meus interesses pessoais. Por escolha faço isso. Se quero romper este mesmo relacionamento, tenho este direito. Porém, os benefícios que a vida ao lado de alguém me dá está rompido, não posso reivindica-lo. 

O que quero dizer é que toda a liberdade implica em renúncia. Amadurecer é estar consciente da renúncia que a liberdade de escolha exige. Este é o grande desafio para se dar um ponto de partida na busca de tomarmos as nossas vidas pelas mãos e a conduzi-la.

- Gostaria de deixar uma mensagem para nossos alunos?

Sim, que sejam livres e arquem com todas as responsabilidades da liberdade para amadurecer. Tomem a decisão necessária na dimensão em que as consequências, em longo prazo principalmente, possam trazer resultados. Quanto mais tomamos uma decisão no presente focada em um projeto de longa duração, estaremos construindo uma possibilidade com o futuro, uma vida longa, e não vivendo um dia atrás do outro. 

- Algo mais a acrescentar?

Estou muito feliz de poder ter conversado com os alunos da Faculdade Cidade Verde. Uma honra poder ser útil para aqueles que tem a responsabilidade de dar uma resposta racional a uma sociedade cada vez mais carregada de misticismo. Obrigado!

 
 

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