publicado em 10/02/2014 às 10h05
e atualizado em 10/02/2014 às 11h32

Difícil Oposição

Um levantamento feito pela reportagem da Gazeta do Povo mostra a média dos partidos atuando no Congresso Nacional a favor de medidas governistas.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Clientelismo

Clientelismo

Governismo
Como é difícil ser oposição neste país. Um levantamento feito pela reportagem da Gazeta do Povo mostra a média dos partidos atuando no Congresso Nacional a favor de medidas governistas. Ou seja, não há oposição ao executivo. 64,5% dos projetos governistas não tem oposição.

Neste pacto tradicional, a pesquisa mostra que desde de 1989, quando a redemocratização no país se consolidou e as heranças constitucionais da Ditadura Militar (1964-1985) sucumbiram, o Legislativo é composto por aliados governistas. Neste país, não há oposição.

Dos dados levantados, os partidos que lideram o ranking do pacto com o poder são o PTB (81,1%), o PMDB (79,1%) e o PP (79%). Três partidos que sobrevivem exatamente de alianças. Sendo que o PMDB tem uma história de compactuar com o poder e ter influência política no país sustentado na diversidade. O PP se posiciona como um partido conservador, sem um personalismo próprio e rezando para que ninguém se lembre que Paulo Maluf faz parte de suas fileiras. Já o PTB teve seu maior sucesso midiático de um de seus personagens no mensalão, com Roberto Jefferson, distante, e muito, de seu fundador, o carismático Getúlio Vargas.

Mas o que justifica este pacto entre o poder Legislativo e Executivo? Diria que a arte de fazer da política uma profissão. Para os com carisma, uma vocação, uma virtude. Ser homem público não é para qualquer um. Requer uma habilidade de jogar com forças locais e se colocar como primordial para alcançar um objetivo comum e, em muitos casos, principalmente pessoal. Recursos regionais depende da capacidade de representação que não é só o voto, é conhecer o caminho que leva as forças do Poder Executivo, ser bem recebido no Planalto.

Por isso, políticos como Ricardo Barros (PP) soube se manter em destaque no poder. Soube jogar com as forças do Executivo em momentos diferentes. Durante os governos de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e Luís Inácio Lula da Silva (PT), Barros foi liderança governista. Sim, na diferença aparentemente nítida há uma semelhança necessária. Os mecanismos da governança são os mesmos.

Olhamos demasiadamente para o Poder Executivo, sem considerar os mecanismos que o sustenta. O poder não responde a representatividade pura e simplesmente, ele é uma máquina que sobrevive as eleições. Ele tem em sua engrenagem nepotismo, clientelismo, lobismo e uma cadeia de permanentes camaleões que usam da astúcia para se perpetuar no poder uma aparência de mudanças constantes.

 
 

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