03/02/2014 às 11h21

A extinção das bancas de revista

Que sonho ter cafés que se multiplicassem com bancas de jornais e revistas em cada esquina, mas isso é querer demais. Nunca tivemos um público muito grande para este fim.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Café e leitura

Café e leitura

Café e leitura
No Paraná elas já perderam 40% do território nos últimos quatro anos. Um recuo significativo. Em cidades como Londrina a abertura de bancas nas ruas passa por um critério burocrático e muitas foram fechadas por uma legislação municipal mais rígidas em relação a ocupação de calçadas. Mas este não é o principal problema. Há uma questão que determina o desuso das bancas, o decadência dos clientes.

A leitura dos jornais está diminuindo. Mesmo os que ainda praticam o exercício salutar de ler pela manhã o jornal, ou frequentar um ambiente de leitura no fim do dia, já opta por não sair de casa. Os portais dos principais jornas de circulação nacional avançam e oferecem opções de leitura pela internet, no smartphone, celular ou tablet. Mesmo a aquisição do jornal em papel pode ser personificada, endereço e dias de recebimento.

Além de tudo isso, temos que considerar a presença nas páginas sociais dos veículos de comunicação. Eles geram um contato rápido com o leitor, dão resumos de notícias em forma de “dropes”. Informação pipoca a sua frente, sempre rápida, resumida, simplificada e se quiser saber mais é só “clicar”. E se não gostar você pode descartar.

Por fim, o mais deprimente da decadência das bancas de revista é que o leitor que insiste em frequentá-la tem de 30 a 50 anos. Eles estão envelhecendo e são analógicos. Porém, são leitores que não desejam apenas passar os olhos pelo texto. Eles querem buscar algo que melhore sua capacidade de informação, garimpeiros. Uma raça em extinção. Já não eram muitos, diga-se de passagem.

Que sonho ter cafés que se multiplicassem com bancas de jornais e revistas em cada esquina, mas isso é querer demais. Nunca tivemos um público muito grande para este fim. Agora, com as mudanças, com esta virtualidade, a diversidade da informação superficial invade nosso sedentarismo. O café e a informação de qualidade ficaram artigos de luxo e a mente agora está atenta a outros interesses. Eles incham o raciocínio e, quase sempre, não tem conteúdo.

 
 

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