09/09/2013 às 07h56

Mapa do Ensino Superior: Uma expressão da desigualdade

Vale lembrar que o orçamento da USP, primeira colocada, é de R$ 4,3 bilhões, ou seja, a soma dos orçamentos das federais do Rio de Janeiro, Minas e Bahia somado.

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
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Saiu o Ranking Universitário Folha, um mapa da qualidade das universidades brasileiras. Levando em consideração cinco pontos (inovação, ensino, publicações internacionais, pesquisa e inserção no mercado de trabalho) com média de 0 a 100, o mapa aponta a condição do ensino superior brasileiro.

Apesar de ser independente, é realizado por uma empresa de comunicação, ele leva em consideração, de forma equilibrada, os pontos mais importantes de atuação de uma instituição de ensino superior. Pesquisa, educação e inserção no mercado de trabalho são os requisitos que levam mais pontos.

O resultado deste ano colocou a USP mais uma vez em primeiro lugar (96,89), seguida pelas Universidades Federais do Rio de Janeiro, Minas Gerais, Rio Grande do Sul e pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Vale lembrar que o orçamento da USP, primeira colocada, é de R$ 4,3 bilhões, ou seja, a soma dos orçamentos das federais do Rio de Janeiro, Minas e Bahia somado. O que já ajuda a explicar o sucesso da primeira colocada.

Mas o mapa não pontua a desigualdade por instituição, também por região. O sudeste é líder absoluto na qualidade do ensino superior, tem 66% das melhores instituições do país. Além de que, hoje, concentra 46% dos núcleos de pesquisa nacional, índice que já foi pior há 20 anos, 70%. Uma demonstração clara que a qualidade de vida de uma região também está ligada a sua capacidade de formação superior.

Os paulistas ainda contam com um fator decisivo no desenvolvimento de pesquisas que dão continuidade a carreira acadêmica, atrai empresas privadas e mantém os alunos do ensino superior em constante contato com a academia. A Fundação de Amparo a Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp) tem um orçamento anula de R$ 1 milhão por ano, o mesmo valor de todo gasto previsto pelo governo da Bahia. 

Segundo o Mapa RUF, as regiões mais carentes são as que têm menos desenvolvimento universitário e não conseguem apresentar projetos de pesquisa relevantes. Centro-Oeste, Norte e Nordeste ficam à margem do desenvolvimento científico e tecnológico nacional. Absorvem, por consequência, mão de obra especializada de outras regiões. 

O Sul do Brasil continua tendo um papel secundário no cenário da pesquisa, mas tem instituições importantes no ranking da Folha de São Paulo. A Universidade Federal do Paraná ficou com a 9ª posição e Universidade Estadual de Maringá na 22ª, a frente da UEL, 23ª. Nos últimos 20 anos o mapa da produção universitária brasileira cresceu qualitativamente, mas no mesmo lugar. 

Ciência e tecnologia contribuem para reduzir a desigualdade, mas é, também, um resultado do que vem antes, ensino básico de qualidade, saúde e mercado de trabalho. Uma relação que não se pode desvincular. O RUF apenas aponta que as próximas décadas não trará muita alteração dos lugares onde estará a qualidade de vida e a produtividade, no mesmo endereço da ciência e da tecnologia.

 
 

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