17/07/2013 às 06h16

No Mercado, lembrando "Alice no País das Maravilhas"

Neste conto, saímos de uma vida insignificante e nos transformamos em personagem vital. Estamos vivendo no "País das Maravilhas"?

Gilson Aguiar - contato@gilsonaguiar.com.br
Consumo
Quem se lembra da obra cinematográfica, e também literária, em que a menina cai em um mundo de fantasia em que todas as coisas respondem a sua chegada. Neste universo de sonhos uma aventura se realiza, e a menina é o personagem principal. Neste conto, a emoção de viver está em saber que saímos de uma vida insignificante e nos transformamos em personagem vital onde todo um “mundo de fantasia” depende de nossa coragem e determinação. 

Alice no País das Maravilhas

Alice no País das Maravilhas

No final desta história, Alice muda na vida real após ter enfrentado seus “desafios” no país maravilhoso. Ela percebeu o ser corajoso que repousa dentro de seu ser e está preparada para os desafios do mundo, antes tão complexo e perturbador, agora tão simples, graças ao tempo em que viveu no “País das Maravilhas”.

Estamos vivendo o mundo de Alice? Eu acredito que para uma parte da sociedade sim.  Ao mergulharmos na relação que estabelecemos com os objetos de consumo que, tento ou não acesso, desejados universalmente, podem nos transformar em personagens principais de um mundo fantástico. Porém, com uma diferença profunda do mundo de Alice, este, o nosso, tem uma sensação de que se vive permanentemente em êxtase. Ele não movimenta espantalhos, homem de latão, um leão ou chapeleiro, ele movimenta os seres humanos, “todos” a minha volta. Os seres que obedecem ao movimento sagrado do bem de consumo. Fato inegável, mas que tem seu preço.

Quando quantificamos o grau de endividamento das famílias brasileiras, e vale lembrar que ele já atingiu em maio deste ano o maior índice de sua história, praticamente 44%. Ser “Alice” tem suas consequências. Não estamos em um universo descoberto na raiz de uma árvore, no fundo do quintal. Estamos diante de um mundo real, o da condição econômica que nos cerca. Viver a vida como uma fantasia pode nos dar a satisfação sensitiva, mas não é a realidade. 

Não precisamos abrir mão do consumo, necessitamos dele, nascemos nessa condição. A vida na economia de mercado exige ter uma moeda de troca para viabilizar a existência, o mais elementar dos raciocínios econômicos permite chegar a esta conclusão. Porém, para uma grande maioria, está lógica elementar da existência desapareceu das vistas. E a maior certeza é que, aqueles que a compreenderem, podem viver rodeado de sonâmbulos, serão conscientes do poder que tem nas mãos e construir uma existência dentro de um ambiente sólido, ter sucesso. Mas, para isso, tem que saber o que está acontecendo a sua volta.

 
 

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