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Leitura começa em casa

Sempre buscamos definir cultura. O que ela significa? Ampla e intensa, ela está por todos os lados. Nem sempre percebida, a cultura é produzida, reproduzida, propagada e transformada. Produzida de forma artesanal e também fabricada em série. Existe uma indústria cultural e ela cresce.

Os números do crescimento da cultura se percebe nos últimos 13 anos. Uma pesquisa do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) demonstra isso. No Paraná, em 2001, dos 399 municípios, 343 deles tinham bibliotecas, no ano passado, dos 399, 372 contam com pelo menos uma biblioteca. Um bom sinal.

Mas por outro lado, as livrarias estão em baixa. Elas tiveram uma redução de 57,1% em número de unidades e desapareceram de 27,3% dos municípios que tinham em 2001. No início do milênio 254 deles tinham uma livraria, hoje são apenas 109. 

Se o aumento de bibliotecas significa um maior número de leitores o que explica a queda no número de livrarias? Temos que separar uma coisa da outra. Às livrarias são empreendimentos privados. Uma despesa que o consumidor assume como seu interesse, depende de uma demanda. Já as bibliotecas são públicas e são subsídios do governo. 

A pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada em janeiro deste ano com dados de 2016, mostra que 44% não lê e que 30% nunca comprou um livro. 43% dos pesquisados dizem que não tem tempo. Mãe e escola são os fatores de estímulo à leitura. Ainda, segundo os dados da mesma pesquisa, os livros de autoajuda e religiosos são os mais vendidos.

A produção audiovisual tem crescido. Os brasileiros, segundo dados do IBGE estão gastando mais com este tipo de meio de informação, 42% de 2001 a 2018. Ver e ouvir no mundo digital tem conquistado mais e mais as pessoas. Se a leitura cresce é no mundo virtual. E a falta de uma boa leitura tem sido percebida no mundo real. 

Se queremos incentivar a leitura ela deve começar em casa e na escola. Os dois ambientes integrados principalmente. Começar cedo. Demonstrar o amor ao livro deve passar dos pais para os filhos. Obrigação do adulto é demonstrar o quanto a leitura pode fazer mudar nossas vidas. 

Não adianta o investimento em bibliotecas por parte do poder público. Isto pode se transformar em uma idealização que não se realiza. Fica no plano do desejo e não se impregna nas relações que podem fazer a verdadeira mudança, o hábito. Associarmos nossa vida ao consumo de conteúdo de qualidade da forma mais tradicional, ler. Aumentar nossa competência de refletir e nosso critério para agir. 

Se queremos uma cultura que nos faça um ser humano melhor, não podemos deixar que a vulgaridade e massificação nos invada. A mesmice que parece nos incluir. A convenção industrializada da cultura. Há que se fazer uma pessoa qualitativa com conteúdo que nos transforme e, mais que tudo, faça de nós senhores do nosso destino. 

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