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A decisão do PMDB nesta terça-feira (29) se permanece ou não no governo Dilma pode ser decisiva para o futuro da petista. Muitos do governo temem o efeito que a debandada dos peemedebistas pode ocasionar para a manutenção da governabilidade do país.
Não podemos esquecer que o estado é o maior cliente da construção civil. Em um país em que a máquina pública é gigantesca, ela move a economia na forma de consumidor de bens e manutenção de uma imensa mão de obra consumidora de produtos.
O que estamos assistindo hoje, na crise política brasileira, há muito de uma herança doentia que alimenta o poder no país. O clientelismo, o nepotismo, o patrimonialismo, que não são típicos de determinados personagens políticos, de um ou outro representante público.
A única coisa pela qual temo, pela qual luto para que não se perca e não vire parte do passado, é a democracia. Ela não pode custar os erros de percurso e de escolhas. Não se pode abandonar o caminho da representação, do equilíbrio, do debate, da manifestação pública, pela aparente harmonia conquistada pelo silêncio que sufoca e impede a mudança.
Parece que estamos condenados a nunca saber quem é a vítima e quem é o mal feitor. O dinheiro público e o serviço público são constantemente pauta de discussões e parte de nossos principais problemas.
Há esperança nas manifestações, porém não podemos deixar de pensar que a saída não é apenas mudar as peças, é repensar as possibilidades que podem emergir com o impeachment de Rousseff.
Há um ar de que caso Dilma ou Cunha sejam retirados de suas funções o país caminhará mais rápido para uma solução. Não é bem assim. As alternativas para a substituição das peças políticas podem gerar um cenário complicado.
O Brasil está dividido, o que em uma democracia não é problema. Parte considerável da saúde política de um regime representativo vem da contrariedade, do conflito político e ideológico. O exercício de se manifestar é um direito. E assim deve continuar.
Perdida, Rousseff não consegue ter canal de negociação com o Congresso e, muito menos com a oposição. Já, Temer, tem avançado na aproximação com a oposição e busca no consenso entre os três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, uma forma de se fortalecer e se afastar da presidente.
Do período joanino, iniciado com a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil (1808), até a atualidade, o clientelismo é prática constante. Os favores que se dá com uma mão se recebe com a outra.

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