Jornalista » Comentário

O destino dos dois líderes deve ser distinto. Enquanto Cunha tem uma grande chance de acabar nas “páginas policiais” da Operação Lava-Jato e ser preso. Se perder o foro privilegiado, pode ter que responder a inquéritos.
Quanto aos que defendem eleições imediatas, para escolher um novo presidente, se esquecem de que é necessária uma troca mais ampla. Uma eleição que envolva a escolha de deputados e senadores.
Estamos preocupados com o processo de impeachment da presidente e defendemos as mudanças necessárias para que o país caminhe rumo ao desenvolvimento. Então temos que nos preocupar com a mesma proporção com os atos da Anatel.
O pronunciamento da presidente foi um dos melhores que ela já fez. Um dos mais sinceros. Em alguns momentos, o despejo de sentimento quase se traduziu em choro. Com a voz, abarcada por vezes, ela esteve a ponto de deixar cair dos olhos a verdade da emoção.
Mas quem foi derrotado ontem? Ainda é cedo para se afirmar qual será o destino do país diante do desencadeamento do processo de impeachment no Senado. O afastamento de Rousseff por 180 dias é dado como certeza. Porém, os próximos passos, dias, serão decisivos.
Falar que o governo petista tem viés marxista é ofender o método, “Marx deve estar se revirando no túmulo”. Este governo é estatizante e de um capitalismo de baixo nível. Quem o chama de populista tem razão. Mas é bom lembrar que é de um populismo que tem oratória popular e age em benefício de empresas apadrinhadas pelo poder.
O desespero do governo em agir as vésperas da votação do impedimento na Câmara de Deputados demonstra o temor da derrota na votação de domingo. A fala dos aliados de Dilma de que há certeza na contenção do impeachment no Legislativo já não é tão certa.
Não há coerência partidária, mas sim um “deus nos acuda”. Cada um quer se manter no poder colocando os “pés em duas canoas”.
Cada vez mais me convenço que o vice-presidente não é uma alternativa para o país. Ele demonstra falta de senso de conduta, precipitação, volatilidade e pouca capacidade de conduzir de forma coerente o seu papel.
O principal motivador da pobreza ideológica e de qualidade política é que todos querem seu quinhão de poder e na lógica mais pobre de Maquiavel, manter-se com ele.

ÚLTIMAS NOTÍCIAS