Falar que o governo petista tem viés marxista é ofender o método, “Marx deve estar se revirando no túmulo”. Este governo é estatizante e de um capitalismo de baixo nível. Quem o chama de populista tem razão. Mas é bom lembrar que é de um populismo que tem oratória popular e age em benefício de empresas apadrinhadas pelo poder.
O desespero do governo em agir as vésperas da votação do impedimento na Câmara de Deputados demonstra o temor da derrota na votação de domingo. A fala dos aliados de Dilma de que há certeza na contenção do impeachment no Legislativo já não é tão certa.
Não há coerência partidária, mas sim um “deus nos acuda”. Cada um quer se manter no poder colocando os “pés em duas canoas”.
Cada vez mais me convenço que o vice-presidente não é uma alternativa para o país. Ele demonstra falta de senso de conduta, precipitação, volatilidade e pouca capacidade de conduzir de forma coerente o seu papel.
O principal motivador da pobreza ideológica e de qualidade política é que todos querem seu quinhão de poder e na lógica mais pobre de Maquiavel, manter-se com ele.
A decisão do PMDB nesta terça-feira (29) se permanece ou não no governo Dilma pode ser decisiva para o futuro da petista. Muitos do governo temem o efeito que a debandada dos peemedebistas pode ocasionar para a manutenção da governabilidade do país.
Não podemos esquecer que o estado é o maior cliente da construção civil. Em um país em que a máquina pública é gigantesca, ela move a economia na forma de consumidor de bens e manutenção de uma imensa mão de obra consumidora de produtos.
O que estamos assistindo hoje, na crise política brasileira, há muito de uma herança doentia que alimenta o poder no país. O clientelismo, o nepotismo, o patrimonialismo, que não são típicos de determinados personagens políticos, de um ou outro representante público.
A única coisa pela qual temo, pela qual luto para que não se perca e não vire parte do passado, é a democracia. Ela não pode custar os erros de percurso e de escolhas. Não se pode abandonar o caminho da representação, do equilíbrio, do debate, da manifestação pública, pela aparente harmonia conquistada pelo silêncio que sufoca e impede a mudança.
Parece que estamos condenados a nunca saber quem é a vítima e quem é o mal feitor. O dinheiro público e o serviço público são constantemente pauta de discussões e parte de nossos principais problemas.
Há esperança nas manifestações, porém não podemos deixar de pensar que a saída não é apenas mudar as peças, é repensar as possibilidades que podem emergir com o impeachment de Rousseff.
Há um ar de que caso Dilma ou Cunha sejam retirados de suas funções o país caminhará mais rápido para uma solução. Não é bem assim. As alternativas para a substituição das peças políticas podem gerar um cenário complicado.
O Brasil está dividido, o que em uma democracia não é problema. Parte considerável da saúde política de um regime representativo vem da contrariedade, do conflito político e ideológico. O exercício de se manifestar é um direito. E assim deve continuar.
Perdida, Rousseff não consegue ter canal de negociação com o Congresso e, muito menos com a oposição. Já, Temer, tem avançado na aproximação com a oposição e busca no consenso entre os três poderes, Executivo, Legislativo e Judiciário, uma forma de se fortalecer e se afastar da presidente.
Do período joanino, iniciado com a transferência da Corte Portuguesa para o Brasil (1808), até a atualidade, o clientelismo é prática constante. Os favores que se dá com uma mão se recebe com a outra.

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