A longo da história brasileira, a herança autoritária portuguesa se consolida. Se impondo sobre a sociedade e construindo o sentimento de nacionalidade. O papel de Getúlio Vargas (1930 a 1945) é decisivo neste sentido. O que se chama nacionalidade ganha força aliada ao sentido cívico.
Nossa guerra civil, em comparação com a Síria, ela é constante e intensa. Não traz propostas ideológicas ou apresenta lados opostos onde o inimigo é declarado e, por isso, possível de ser combatido de forma objetiva. A pior das guerras é aquela que ameaça a todos, não tem lugar e nem rosto.
A empresa colonial lusitana implantou a lavoura extensiva, fundada no monopólio canavieiro. Os engenhos, a agroindústria açucareira foi bem sucedida. Com o trabalho escravo se estabeleceu a mão de obra nas terras tropicais portuguesas.
Temas necessários de serem discutidos de forma sóbria e madura são contaminados pela infantilidade do radicalismo de conteúdo pobre. O mundo não é uma divisão entre o bem e o mal.
Seria possível instalar uma ordem perfeita. Uma busca de harmonia entre as diferenças que compõe a sociedade? Aristóteles considera que não. Estamos fadados a ver decompor governos de obas intenções pela mediocridade dos interesses pessoais. O que nos daria um bom começo para discutirmos o que estamos vivendo no país hoje e durante boa parte de sua história.
Nossas filhas, adolescentes e jovens, estão nas universidades ou se encaminham para elas. Não são mais educadas para casar, e sim para construírem uma vida profissional.
A mulher dos bandos nômades cria seus filhos sem a necessidade de um parceiro. Elas fazem sexo com os que lhe atraem, e a sedução não está em rituais de submissão típicas de nossa sociedade.
O prazer, a sexualidade, entre nós perdeu esta referência. Os encontros eróticos se transformam em uma satisfação pessoal acompanhada de um corpo que não precisa ter desejos, apenas satisfazer o a vontade particular pelo gozo.
Hoje me perguntaram do por que continuo sendo professor. E a resposta foi simples, porque ainda há pessoas no meio acadêmico que me inspiram e demonstram que não estou sozinho. Meus alunos, meu companheiros de trabalho.
Hoje, infelizmente, prolifera a infantilidade mental. Se há musculatura, é a adquirida na academia de ginástica diante de espelhos, na procura de impressionar pela estética o que a incapacidade do conteúdo denuncia.
Matriculados, incorporados, pertencentes ao mundo dos adultos, as “crianças grandes” exigem o direito de serem trados como os adultos. Querem respeito.
O ato infantil de desejar, ter e não entender a complexa rede de produção da vida, gera comportamentos preocupantes. Os motores de boa parte da crise atual.
Se incluímos cada vez mais alunos na escola, é apenas no espaço físico da educação. Local nem sempre adequado a ensinar, apenas a concentrar, acumular pessoas.
Meu avô sempre olhava as mãos dos pretendentes a se casarem com suas filhas. Para ele, um pré-requisito importante para a felicidade de uma família.
Se observarmos o quanto as áreas de conhecimento ligadas aos ambientes de consumo se proliferaram, chegaremos à conclusão de que somos seduzidos pela simbologia dos objetos.

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