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É possível amar e odiar ao mesmo tempo?

A resposta é sim. Há uma contradição entre amar e odiar. Porém, e nem por isso, quem tem raiva e inveja, não deseja o que despreza. A continua convivência com uma pessoa que se ama pode ser cruel na manutenção de uma relação. Cultiva-se o amor e pode se odiar as qualidades do parceiro quando não as temos para lhe acompanhar. Nada pior do que ver a pessoa amada ir além do que podemos ir.

Somos movidos por este sentimento de nos irritarmos com o que desejamos. A nossa busca de superação de nossas limitações nos faz nos aproximar daqueles que podem completar nossa deficiência. Temos consciência ou não dos nossos limites, mas agimos por causa deles. Vivemos a continua busca de sermos completos. Contudo, aquele ou aquela que nos completa pode nos trazer o desconforto da dependência do outro. Da afirmação diária de que não somos “ele”, mas de que estamos com ele, o parceiro “amado” e “indesejado”. Aquele que nos coloca frente a frente com o que nós somos.

Observe que em muitos casos o contraditório é nossa busca. Nosso objeto de escárnio é aquilo que queremos ser ou ter. Na nossa impossibilidade, criticamos, denegrimos, agredimos, desprezamos. Ao mesmo tempo amamos, intensamente em alguns momentos. Ele ou ela é o nosso “inimigo” íntimo. A dificuldade é admitir isso.

Por mais que doa, temos que admitir. Olhar para o ser ao nosso lado e aprender a nossa imperfeição diante de alguém que também é imperfeito. Esta é a questão. Não há como ser completo, a falta nos remete aos outros. O que não significa que temos que gerar dependência de alguém. Não é isso que vai resolver, ser uma extensão do outro. O que vale viver é estar por opção ao lado de quem reconhecemos as virtudes. Devemos sempre saber que conseguimos convergir em interesses comuns com o outro.

Não se nega a si para ficar com o outro. Ninguém merece tamanho sacrifício. Se existir este ato, se afaste. Você não está diante de um parceiro e sim de um “parasita”.

Fique porque quer e deixo o outro ir embora a hora que quiser. Não prenda, não faça nada para agradar, apenas seja sincero para não magoar. A pior magoa é a mentira e a maior virtude é o reconhecimento de qualidades e defeitos dos outros e as nossas, principalmente.

Não é incomum surgir um sentimento de inveja e concorrência velada entre duas pessoas que se amam. Isto pode ser uma característica do relacionamento, só não pode ser uma constante. A rivalidade acaba estimulando superações, mas pode gerar golpes e traições. Pode levar a ódios de boicotes e desprezo expressos em ignorar o parceiro nos momentos de reconhecimento de suas qualidades. E não há dor maior do que o desprezo de quem você mais espera reconhecimento e apoio. Rupturas dolorosas chegam neste momento.

No ambiente empresarial não é diferente. A concorrência entre profissionais pode colaborar com a empresa. Pode render frutos de produtividade e inovação. Criatividade surge quando estamos vivendo a competitividade. Mas se pode concorrer com admiração ou com uma guerra sem regras onde a destruição do “oponente” é o principal objetivo. O que deveria ser parceria ganha o status de rivalidade.

Empresas podem colocar tudo a perder por ter dentro de seu ambiente de trabalho a construção de conflitos declarados ou velados, estes são os piores. Pessoas que são obrigadas a conviver todos os dias e alimentam entre si um sentimento ruim. Parte considerável do tempo que se tem dentro da empresa os objetivos e metas em comum fincam em segundo plano ou condicionadas ao desejo de destruição do oponente. Desconfiança, medo, meia informação, pouca colaboração, acabam se transformando em práticas comuns.

Logo, não é ruim sentir a concorrência, entender que se quer superar seus limites. Não é um problema quando encontramos pessoas que tem habilidades que nós não temos. Esta condição pode ser um ambiente de educação pessoal. A forma como lidamos é que precisa ser pensada com cuidado. Temos que reconhecer o mérito dos outros, temos os nossos. Trocas e parcerias podem estar associadas a competição. A cada momento uma delas pode ser o foco, mas o que deve prevalecer é a relação, sempre.

 

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