Palestra Dilemas Financeiros

O nível de endividamento das famílias brasileiras tem crescido nos últimos 5 anos. Um fato acentuado após a crise de 2009. O comportamento financeiro tem sido apresentado nos números de brasileiros com dívidas em atraso, mais de 90 dias. Neste quadro, o cartão de crédito é o principal vilão.  
O aumento da renda da Classe C, que agora é composta por mais de 100 milhões de brasileiros, é apontado como o motor do consumo. Hoje, os que estão nesta faixa de renda representa a maioria dos consumidores brasileiros. Eles estão, predominantemente, em três regiões, Sudeste, Nordeste e Sul. Esta melhora aparente no número de brasileiros com renda acima de 4 salários mínimos pó...

Mas sabemos diferenciar o que é renda e crédito na hora de consumir? Existe uma relação perigosa que está sendo propagada, como forma de incentivar a aquisição de bens que contribui para esta confusão? Nós acreditamos que sim. E esta confusão está na ambientação à que a sociedade tem sido submetida. Em todos os lugares o apelo ao consumo induz a permissividade, a responsabilidade não está expressa na propaganda publicitária.
Se quisermos uma educação financeira responsável, nós temos que entender o que é a vida em uma sociedade onde todas as nossas relações estão submetidas a uma lógica de mercado. Esta avaliação só pode ter significado se repensarmos onde estamos depositando parte considerável de nossos esforços e recursos. Em todos os espaços da vida social, a lógica do consumo está particularizada e fundada em um imediatismo que coloca em risco o futuro de cada um e das instituições onde as pessoas estão incluídas.

A particularização perigosa da lógica ambientada e publicitária do consumo é a valorização estrema do objetivo imediato como sentido das relações sociais. A avaliação das consequências das atitudes que tomamos no meio social é sempre restrita, não há o compromisso futuro com a escolha tomada hoje. Nas empresas, por exemplo, esta condição está rompendo a perspectiva da qualificação, da carreira profissional, da construção de uma relação de aprendizagem dentro do ambiente profissional.

A educação financeira deve começar pelo sentido que damos a nossa vida, ao sua longa perspectiva de duração. A longevidade já é uma realidade, vamos viver, em média, mas de 75 anos. Já está entre nós, um grande número de pessoas que irão passar de um século de existência. Mas para que viver tanto sem ter um sentido na vida. É possível ter e fazer muito em tanto tempo, mas é preciso ter uma lógica e coerência em cada dia que se vive.
Esta é a nossa proposta, entender a sociedade atual, como ela tem organizado as condições para a qualidade de vida, mas também em gerado mecanismo para minar esta possibilidade. Despertar a competência que cada um de nós tem de tomar decisões e valorizar as escolhas em longo prazo. Se quisermos construir um futuro sólido não podemos nos sentir uma obra acabada.
 

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