Requião “sem travas”
janeiro 18th, 2012Author: Gilson AguiarConversas com o senador Roberto Requião são sempre folclóricas. As críticas ao atual governador do Paraná, Beto Richa, é uma constante. É o alimento que faz Requião se posicionar na política paranaense. Entre acusações e críticas, o peemedebista carrega na dose de ironia as farpas ao desafeto. Na última entrevista que concedeu a CBN, Requião ironizou: “Beto Richa anda de Ferrari por Curitiba e, ainda, não dirige o Paraná”.
Segurança, Copel e privatização são os temas mais comuns dos pronunciamentos do senador. No twitter, em matéria de polêmica, Requião é imbatível. Seus desafetos se acumulam. Beto Richa, em pronunciamento a CBN de Curitiba, disse que tentou conviver harmonicamente com o peemedebista, quando era governador, mas a falta de educação conhecida por todos o impediu de ser cordial.
Em minha conversa com Requião, falamos sobre as eleições municipais deste ano. Ele apóia Ênio Verri em Maringá e considera que o diretório deveria do PMDB em Maringá deveria fazer o mesmo. Mas, é claro, que o senador detonou o ministro Paulo Bernardo. Ele afirmou que apóia Ênio, mas não o PT. “No partido tem gente boa, mas também tem gente ruim”, afirmou. Bernardo encabeça a lista dos indesejados.
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Feliz Ano Novo Cidadão!
janeiro 2nd, 2012Author: Gilson AguiarReportagem de Luciana Peña traz uma enquete no primeiro dia do ano. Na pergunta, o que o brasileiro espera de 2012. Saúde, segurança e trabalho despontam como alguns dos principais desejos no novo ano. Mas há outro desejo que cresce, em um ano eleitoral, o combate a corrupção, o fim do mal maior.
Se formos considerar os desejos, o maior impedimento para que se realizem é a corrupção. Os investimentos perdidos, o alimento do câncer burocrático, de uma máquina pública viciada pelos parasitas, destrói qualquer desejo coletivo.
Este é um ano de eleição municipal, esfera do poder público que surte efeito mais rápido na vida do cidadão. A cidade é o território em que a vida pública se confunde com a particularidade com maior intensidade. Se quisermos iniciar mudanças, elas devem ser no próprio quintal.
Transparência na vida pública implica em entender seu funcionamento. A grande maioria dos nossos problemas ocorre de não conhecermos a dimensão do poder que temos. A cidadania exercita na organização coletiva, na mobilização da sociedade civil organizada é um instrumento fantástico de poder.
Não podemos ter medo, juntos somos mais, só somos frágeis. 2012 é o ano de aprender que o poder público representa e não oprime. O representante público tem que prestar contas e não fazer o que bem entende. Feliz Ano Novo CIDADÃO!
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A “Ilha da Fantasia”
janeiro 1st, 2012Author: Gilson AguiarO que falar do país que abandona a si e abraça o sonho como sua história? Ilusão de quem faz propaganda da mentira para não encarar a verdade, dolorosa, mas educativa. Minhas palavras não são inéditas, é apenas a reinterpretação de um texto a ser lido e relido, na edição de 28 de dezembro de 2011, com o título “Momento de aprender”.
O país celebra ter se tornada a 6ª economia mundial, retrata a superação do anonimato mundial, exalta o preço elevado do custo de consumo de bens de luxo como cidades tradicionais dos países desenvolvidos. No Rio de Janeiro o custo de alguns bens e serviços é maior que Paris.
Mas o que aparentamos não é o que somos. Somos o luxo e o lixo. Fantasia o progresso sem dignidade. Ainda temos destaque na miséria, na violência e na desigualdade de renda. Estamos dominados pela idéia do condomínio fechado.
Queremos o mundo cercado por falsos muros, de diversas formas, que nos proteja de um suposto mal. O inimigo que reside do outro lado é mais íntimo do que pensamos. Ele é fruto de nossos enganos de acreditar que podemos viver do bem estar sem ser atingido pelo descarte humano que promovemos.
Em alguns lugares nós acreditamos que podemos transformar uma cidade em condômino. Maringá acredita que será eternamente protegida pelos seus muros. Os espaços residenciais de ilusão se multiplicam cercados, de muros ou valor. Mas nós somos o todo, não o selecionado grupo de vizinhos. A vida não é as escolhas de consumo, mas as condições que produzimos o que está a venda sem controlar o destino dos descartáveis.
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Por trás, em família, na intimidade do poder
dezembro 28th, 2011Author: Gilson AguiarAs condições que mantém o poder são complexas, mas é difícil delimitar o que é certo e errado. Para nós, reles mortais e cidadãos comuns, acreditamos que entre a função do representante público e seus atos deve-se cumprir a regra. Mas a lógica que mantém o líder no governo é outra.
Dois fatos marcaram a última semana de 2011. Em entrevista a CBN Maringá, Ricardo Barros, Silvio Barros e Mário Hossokawa revelaram as tramas de se manter a governabilidade. É o jogo da política que, para se jogar, tem que se ter vocação.
A família barros está se retirando, nominalmente, do Poder Executivo de Maringá. Silvio não pode se candidatar para um novo mandato, mas já anunciou o apoio ao seu vice, Roberto Pupin, ambos do PP. Ricardo Barros, líder da sigla, irmão de Silvio, articulador principal da vida pública do grupo que representa, já traçou a estratégia para que a vitória de Pupin possa se garantir. Também articula o retorno do sobrenome ao poder para 2016. Silvio deve sair da prefeitura um ano antes do final do mandato.
A estratégia permitiria a Roberto Pupin ganhar o conhecimento e confiança do eleitor, transferir o legado de Silvio Barros. Dar segurança de continuidade em uma administração que tem aprovação para a maioria da população municipal.
Silvio Barros pode assumir uma secretaria estadual. O próprio Ricardo Barros abriria espaço para o irmão, já que ele anunciou sua saída da administração Beto Richa. O PP ficaria com o direito a uma secretaria estadual, possivelmente a do Meio Ambiente, área em que Silvio tem uma vasta experiência. O poder também se define na “macarronada em família”.
Mário Hossokawa deu outra demonstração de bastidores que definem o poder. Desta vez não é em família, pelo menos não com o mesmo sobrenome. Em entrevista a CBN Maringá, o presidente da Câmara de Vereadores de Maringá declarou que a votação do aumento dos subsídios dos parlamentares municipais, em uma sessão de afogadilho foi uma troca: corte dos cargos comissionados por aumento dos salários.
Qual seria a relação entre aumento do salário de vereadores e corte de CCs indicados pelos vereadores?
Talvez, talvez e, somente talvez, nunca se quer perder a receita. Para toda a perda deve haver compensação. Qual? É só refletir.
Não se pode generalizar, não se pode acusar sem provas, mas pode se lembrar dos fatos. É comum que vereadores indiquem os cargos comissionados. Há, também, a prática ilegal, em alguns casos, de parlamentares ficarem com parte considerável dos salários dos CCs.
O que tenho certeza, em meio a tantas dúvidas, que quem aceita perder quer ser compensado.
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Salva vida ou mata o bolso?
dezembro 27th, 2011Author: Gilson AguiarO Conselho Nacional de Trânsito (Contran) revogou a necessidade de sinalização em vias públicas e rodovias para identificação de trechos com radares, controladores de velocidade, ou que alguns chamam de pardais. Mas a crítica sempre foi de que os “salva vidas”, como também são chamados, no fundo “matam o bolso”. Em Maringá, os radares fixos, colocados em diversas vias, são considerados um meio de alimentar a “indústria da multa”.
Minha opinião se divide, não considero de todo ruim retirar os avisos de radares nas vias e rodovias. Temos que controlar o pé no acelerador de qualquer forma. O que me incomoda é o estímulo constante ao consumo do veículo como meio de transporte. As propagandas e a disposição das vias públicas o favorecem. Leis falam menos que o falso “prazer de dirigir”.
Nós precisamos imediatamente de políticas públicas voltadas ao transporte coletivo. Meios de deslocamento com conforto, baixo custo e segurança, que dispensem o uso de motocicletas e automóveis. Se for para ter um transporte individual que seja a bicicleta, mas com segurança.
Sempre temi a o comportamento do homem público, mas o pior é a incapacidade de raciocínio do eleitor. Mobilizarmos-nos por um transporte coletivo de qualidade deveria ser uma prioridade. Mas o cidadão é mais consumidor do que um membro da coletividade. Logo, ele ama o financiamento em longo prazo e, contraditoriamente, está muito pouco preocupado com o futuro, mesmo com um carnê de 60 meses nas mãos.
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Tucano com Pavão
dezembro 26th, 2011Author: Gilson AguiarO governador Beto Richa vive um momento de paz, que ele espera duradoura. Mesmo com uma oposição que se mantém atenta e constante, expressa nos trabalhos do PT na Assembléia Legislativa do Paraná e nas alfinetadas do ex-governador, atual senador, Roberto Requião (PMDB).
O governador paranaense foi indicado por uma pesquisa do Ibope, divulgada no último dia 22 (quinta-feira), o segundo governador com maior índice de aprovação do país, ficando atrás apenas do governador de Pernambuco, Eduardo Campos (PSB).
No dia 19 de dezembro o governador recebeu o senador tucano Aécio Neves, durante as comemorações da emancipação do Paraná. O que aflorou os problemas de divisão dentro do PSDB.
Beto Richa acabou se pronunciando sobre o tema e não fez defesa nem de Aécio e Serra, apenas afirmou que “o partido precisa de paz”. O governador considerou a comunicação com a população um dos problema da crise que os tucanos estão vivendo. Para ele, não é hora de pensar em quem será o candidato de 2014, mas em garantir o crescimento e a unidade do PSDB.
A fala é contundente e necessária, mas Richa é mais um expoente de um partido com um grande número de “caciques”, alguns de peso. Enquanto o principal oponente as disputas para os poderes executivos do país, o PT, tem um militância aguerrida, os tucanos tem liderança, mas não tem liderados.
Os petistas morrem pela sigla, transformaram o partido em uma “igreja”, tem até dízimo. Eles também odeiam, em alguns casos, mas na foto de família aparecem abraçados. Esta aula de preservação guerrilheira, o que é histórica em alguns petistas, falta aos tucanos. A vaidade é um dos pecados capitais dos homens, ainda mais quando são públicos. Alguns tucanos estão quase cruzando com um pavão e ficando de bico grande, todo emplumado, mas de “cabeça pequena”.
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2012: “Nada do que foi será”
dezembro 23rd, 2011Author: Gilson AguiarEstamos às vésperas do Natal e Ano Novo. O final de ano tem suas peculiaridades na vida pública. Por um lado a lentidão dos serviços, as férias chegam sempre mais cedo para a maioria dos órgãos públicos. Já os parlamentares costumam usar a lentidão do período e a distração natalina da maioria dos cidadãos para votarem as pressas o que não seria possível com olhar atento.
Do Congresso Nacional, a Assembléia Legislativa do Paraná a Câmara Municipal de Maringá, o trabalho se estendeu na busca de atender os interesses do Executivo.
No caso maringaense da “hora-extra” parlamentar, o que ficou parado na garganta e não deu para engolir foi o aumento dos salários e a questão do tratamento de resíduos. A primeira por interesse dos parlamentares, e sabe-se lá de mais quem, procura-se esquecer. Já, no caso da segunda, uma birra que deverá ser negociada no ano que vem, um ano de eleição.
Em ano eleitoral, discutir certas questões sempre sai mais caro. Os parlamentos e os respectivos poderes executivos estarão fazendo negociações de cena. Tentando causar impacto no eleitor e deixar a marca que imprimi na urna eletrônica a permanência ou a mudança.
Mas é sempre bom lembrar ao eleitor, que ano eleitoral é o que inverte a lógica de uma legislatura. A aparência do que se julga em um ano de eleição pode contradizer a história de um mandato inteiro.
Impressiona-me o quanto o mau caráter se traduz em sorriso e simpatia, o quanto a verdade se esconde atrás do manto da boa intenção. O palco eleitoral é uma ilusão, só os que conhecem a montagem da peça podem aplaudir ou vaiar sem inverter a lógica do circo, tirar o palhaço do picadeiro e colocá-lo na platéia.
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Notas do dia
dezembro 20th, 2011Author: Gilson AguiarProdução agrícola é jogada no “ralo” por falta de infra-estrutura. Da colheita ao armazenamento, o desperdício chega a 10% da produção. Milhões de reais são desperdiçados. Parte considerável destas perdas poderia ser evitada. Este condição deteriorada de produção e escoamento se arrasta no país. Morremos pelo excesso ou pela falta, neste caso é a junção dos dois elementos. Não falta comida, mas ela vai para o lixo, por descuido, antes de chegar na boca.
Indústria do contrabando está em alta e gera uma indústria de consumo. Os meios para transportar a quantidade imensa de cargas contrabandeadas têm frota de veículos leves e caminhões. Milhares são apreendidos e o volume de automóveis e caminhões já representa uma verdadeira fortuna, mais de R$ 80 milhões.
Inclusão digital está em alta. O principal carro chefe do crescimento da banda larga no Brasil é a telefonia móvel. A integração destas redes está condenando algumas formas tradicionais e coletivas de uso da telefonia, o “telefone público”. A grande maioria está em desuso, ou simplesmente quebrada, mas quase ninguém sente falta.
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O excluídos da Copa
dezembro 20th, 2011Author: Gilson AguiarAs discussões sobre a Copa do Mundo de 2014, no Brasil, ganha mais um capítulo. Agora é a vez da meia-entrada para idosos. A discussão sobre os que serão beneficiados com ingressos a menor preço já inclui e excluem estudantes, jovens, índios, deficientes e, agora, é a vez dos idosos se transformarem em objeto de debate. Pelo Estatuto do Idoso eles teriam direito a meia-entrada, mas se tiverem, devem ser excluídos das cotas sociais. São os chamados “guetos-jurídicos”. O direito além do direito, ainda sobre um tema tão relevante: “A Copa do Mundo de Futebol”. Quantos devem assistir ao espetáculo na Arena Romana, o chamado “pão e circo”.
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Alimento da existência
dezembro 17th, 2011Author: Gilson AguiarHoje é um dia para refletir. Todos caminhamos para algum lugar, mas para que lugar se caminha? Existe este tal lugar comum que tanto falam? O elemento divino criador de “todos nós” realmente existe? Para mim esta dúvida é difícil de ser respondida. Invejo quem considera a existência divina um óbvio. Para mim é uma lacuna.
E lacunas costumam ter dor de vazio sem sentido. Destes que por mais que se tente preencher não é qualquer conteúdo que se encaixe. Esta angústia do crescimento eterno que tenho dentro de mim. Por isso, devo morrer “dúvida”.
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