As condições que mantém o poder são complexas, mas é difícil delimitar o que é certo e errado. Para nós, reles mortais e cidadãos comuns, acreditamos que entre a função do representante público e seus atos deve-se cumprir a regra. Mas a lógica que mantém o líder no governo é outra.
Dois fatos marcaram a última semana de 2011. Em entrevista a CBN Maringá, Ricardo Barros, Silvio Barros e Mário Hossokawa revelaram as tramas de se manter a governabilidade. É o jogo da política que, para se jogar, tem que se ter vocação.
A família barros está se retirando, nominalmente, do Poder Executivo de Maringá. Silvio não pode se candidatar para um novo mandato, mas já anunciou o apoio ao seu vice, Roberto Pupin, ambos do PP. Ricardo Barros, líder da sigla, irmão de Silvio, articulador principal da vida pública do grupo que representa, já traçou a estratégia para que a vitória de Pupin possa se garantir. Também articula o retorno do sobrenome ao poder para 2016. Silvio deve sair da prefeitura um ano antes do final do mandato.
A estratégia permitiria a Roberto Pupin ganhar o conhecimento e confiança do eleitor, transferir o legado de Silvio Barros. Dar segurança de continuidade em uma administração que tem aprovação para a maioria da população municipal.
Silvio Barros pode assumir uma secretaria estadual. O próprio Ricardo Barros abriria espaço para o irmão, já que ele anunciou sua saída da administração Beto Richa. O PP ficaria com o direito a uma secretaria estadual, possivelmente a do Meio Ambiente, área em que Silvio tem uma vasta experiência. O poder também se define na “macarronada em família”.
Mário Hossokawa deu outra demonstração de bastidores que definem o poder. Desta vez não é em família, pelo menos não com o mesmo sobrenome. Em entrevista a CBN Maringá, o presidente da Câmara de Vereadores de Maringá declarou que a votação do aumento dos subsídios dos parlamentares municipais, em uma sessão de afogadilho foi uma troca: corte dos cargos comissionados por aumento dos salários.
Qual seria a relação entre aumento do salário de vereadores e corte de CCs indicados pelos vereadores?
Talvez, talvez e, somente talvez, nunca se quer perder a receita. Para toda a perda deve haver compensação. Qual? É só refletir.
Não se pode generalizar, não se pode acusar sem provas, mas pode se lembrar dos fatos. É comum que vereadores indiquem os cargos comissionados. Há, também, a prática ilegal, em alguns casos, de parlamentares ficarem com parte considerável dos salários dos CCs.
O que tenho certeza, em meio a tantas dúvidas, que quem aceita perder quer ser compensado.
Popularity: 1% [?]


