O que falar do país que abandona a si e abraça o sonho como sua história? Ilusão de quem faz propaganda da mentira para não encarar a verdade, dolorosa, mas educativa. Minhas palavras não são inéditas, é apenas a reinterpretação de um texto a ser lido e relido, na edição de 28 de dezembro de 2011, com o título “Momento de aprender”.

O país celebra ter se tornada a 6ª economia mundial, retrata a superação do anonimato mundial, exalta o preço elevado do custo de consumo de bens de luxo como cidades tradicionais dos países desenvolvidos. No Rio de Janeiro o custo de alguns bens e serviços é maior que Paris.

Mas o que aparentamos não é o que somos. Somos o luxo e o lixo. Fantasia o progresso sem dignidade. Ainda temos destaque na miséria, na violência e na desigualdade de renda.  Estamos dominados pela idéia do condomínio fechado.

Queremos o mundo cercado por falsos muros, de diversas formas, que nos proteja de um suposto mal. O inimigo que reside do outro lado é mais íntimo do que pensamos. Ele é fruto de nossos enganos de acreditar que podemos viver do bem estar sem ser atingido pelo descarte humano que promovemos.

Em alguns lugares nós acreditamos que podemos transformar uma cidade em condômino. Maringá acredita que será eternamente protegida pelos seus muros. Os espaços residenciais de ilusão se multiplicam cercados, de muros ou valor. Mas nós somos o todo, não o selecionado grupo de vizinhos. A vida não é as escolhas de consumo, mas as condições que produzimos o que está a venda sem controlar o destino dos descartáveis.

 

 

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